A tentativa do Vaticano e da Argentina de impor, na COP30, uma definição de gênero limitada exclusivamente ao sexo biológico provocou um dos maiores embates políticos da conferência. A iniciativa, que exclui identidades LGBTQIA+ das discussões climáticas, rapidamente ganhou apoio de países como Paraguai e Irã, acendendo um alerta entre delegações que defendem políticas ambientais mais inclusivas.
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A proposta surgiu durante as negociações do novo Plano de Ação de Gênero (GAP), documento que guiará a agenda de igualdade nos próximos dez anos. A restrição defendida por esses países gerou preocupação entre organizações internacionais, que apontam risco de retrocessos no reconhecimento de populações historicamente vulneráveis aos impactos da crise climática.
Com a pressão do bloco conservador, as discussões sobre gênero entraram em impasse. Delegações da União Europeia e de países da Oceania reagiram imediatamente, argumentando que limitar o conceito enfraquece políticas essenciais de adaptação e mitigação.
Segundo observadores da conferência, o impasse já provoca atrasos significativos no cronograma de negociações e pode comprometer decisões estruturantes da COP30.
Em meio ao conflito, o Brasil apresentou posição clara: manter uma abordagem ampla e representativa. O Itamaraty reforçou que a pauta climática precisa reconhecer diferentes vulnerabilidades, especialmente de mulheres negras e comunidades marginalizadas — grupos desproporcionalmente afetados por eventos extremos, insegurança hídrica e desastres ambientais.
A alta representante brasileira para temas de gênero destacou que políticas de clima “não podem ignorar quem está na linha de frente dos impactos”.
Organizações da sociedade civil e países aliados seguem defendendo um GAP fortalecido, que garanta a continuidade dos avanços obtidos nas COPs anteriores. A tensão aumentou quando negociadores alertaram que a tentativa de restringir o termo “gênero” pode desestruturar todo o capítulo dedicado à equidade.
A disputa revela um debate mais amplo sobre direitos humanos e diversidade em instâncias multilaterais, num momento em que a crise climática amplifica desigualdades ao redor do mundo.