Uma pesquisa conduzida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em colaboração com o Instituto Fraunhofer IVV, da Alemanha, pode mudar a forma como o mundo consome proteína. Os cientistas desenvolveram um substituto vegetal da carne a partir da semente de girassol, um ingrediente comum, barato e amplamente cultivado no Brasil. O estudo revelou que o novo alimento apresenta alto valor nutricional e sabor semelhante ao da carne tradicional, conquistando os especialistas envolvidos. O resultado é visto como um passo importante rumo a uma alimentação mais sustentável e acessível, especialmente em um momento em que o mercado de proteínas alternativas cresce em ritmo acelerado.
VEJA MAIS:
Durante o processo de desenvolvimento, os pesquisadores removeram o óleo e a casca escura da semente de girassol, transformando o interior em uma farinha refinada usada como base para diferentes protótipos de carne vegetal. Duas formulações foram testadas: uma com farinha torrada e outra com proteína texturizada da semente. O segundo modelo se destacou por apresentar melhor textura e consistência, além de manter um perfil nutricional equilibrado.
Além de nutritiva, a “carne de girassol” passou no teste do paladar, com sabor suave e textura que lembra carnes magras. Segundo os cientistas, o alimento pode ser uma alternativa viável para vegetarianos, veganos e pessoas que buscam reduzir o consumo de carne animal. O cultivo do girassol também contribui para o baixo impacto ambiental da proposta: demanda menos água, tem menor emissão de carbono e pode aproveitar a estrutura já usada para produção de óleo no país.
A farinha de girassol refinada pode ser aplicada em diversas receitas — de hambúrgueres e almôndegas vegetais a molhos e recheios. Por possuir sabor neutro, o ingrediente absorve bem temperos, o que o torna versátil na culinária e de fácil adaptação a diferentes mercados. A produção em larga escala seria relativamente simples, já que o processo consiste em extrair o óleo, secar o resíduo e moer até formar a farinha, aproveitando a infraestrutura existente para o beneficiamento do girassol.
De acordo com estimativas da Bloomberg Intelligence, o mercado global de proteínas vegetais deve ultrapassar US$ 160 bilhões até 2030. Com o avanço da Unicamp, o Brasil se posiciona de forma estratégica nesse setor, sendo um dos maiores produtores mundiais de girassol e com condições ideais de cultivo em várias regiões. Os pesquisadores acreditam que a inovação pode democratizar o acesso a uma alimentação mais saudável e sustentável, especialmente entre famílias de baixa renda, sem abrir mão do sabor.
A semente de girassol, antes associada apenas a petiscos e granolas, agora desponta como um superalimento promissor — capaz de unir nutrição, sustentabilidade e acessibilidade em um mesmo prato.