O agronegócio brasileiro vive um ano de forte desempenho nas exportações. Segundo o Cepea, da ESALQ/USP, o Brasil exportou 19,6 milhões de toneladas de farelo de soja entre janeiro e outubro — o maior volume já registrado para o período. A demanda cresceu com a entrada de novos destinos, como Espanha, Dinamarca, Bangladesh e Portugal, além de maior procura interna.
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As exportações de soja em grão também avançaram, somando 100,6 milhões de toneladas, 6,7% acima do mesmo intervalo de 2024. Desse total, 78,8 milhões foram destinados à China, que segue como principal compradora. No campo, chuvas generalizadas favoreceram as lavouras, embora o ritmo de semeadura esteja um pouco abaixo da média: até 1º de novembro, 47,1% da área prevista havia sido plantada, segundo a Conab.
Enquanto o setor externo mostra força, a Boa Safra (SOJA3) registrou crescimento expressivo no terceiro trimestre de 2025. A receita líquida subiu 56%, para R$ 1,1 bilhão, e o lucro líquido avançou 26%, atingindo R$ 68 milhões. O Ebitda ajustado cresceu 54%, para R$ 113 milhões, e o lucro bruto somou R$ 148 milhões, alta de 51% frente ao mesmo período do ano anterior.
Apesar dos resultados positivos, a companhia enfrenta pressão nas margens, causada pela alta dos juros, pela volatilidade das commodities e por custos logísticos mais elevados. O CEO Marino Colpo afirmou que o desempenho foi sólido, mas poderia ter sido ainda melhor. “Preferimos descartar parte das sementes para manter nosso padrão de qualidade acima de 90%”, destacou.
O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Felipe Marques, ressaltou que a despesa financeira passou de R$ 24 milhões para R$ 36 milhões, mas que o cenário tende a melhorar com a expectativa de queda da Selic. A carteira de pedidos chegou a R$ 862 milhões, o maior volume já registrado pela empresa para um quarto trimestre.
Com R$ 1,2 bilhão em caixa e estrutura de capital sólida, a Boa Safra aposta na eficiência operacional e na qualidade do produto para sustentar o crescimento em meio a um setor impulsionado pelas exportações recordes do agronegócio brasileiro.