A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu duas substâncias químicas comumente empregadas em produtos para unhas em gel: o TPO e o DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina), também denominado dimetiltolilamina. A decisão, anunciada na última terça-feira (4), segue uma determinação prévia adotada na União Europeia e é fundamentada em estudos que indicaram potenciais riscos à saúde.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) emitiu um comunicado reforçando a preocupação com os riscos de câncer e outros problemas de saúde relacionados à aplicação desses produtos.
Pesquisas realizadas em animais associaram o TPO a possíveis alterações na fertilidade e o DMPT ao potencial desenvolvimento de câncer. Embora os estudos não tenham sido conduzidos em pele humana, a dermatologista e membro da SBD, Dra. Rosana Lazzarini, justificou a medida como preventiva.
A Dra. Rosana Lazzarini ressaltou que o grupo mais vulnerável são os profissionais que aplicam os produtos. "Essas profissionais manipulam as substâncias várias vezes ao dia, durante anos. Isso aumenta o risco de desenvolver doença ocupacional relacionadas à exposição química", afirmou.
A SBD alertou que, mesmo com a remoção dos químicos proibidos, o uso regular de esmaltes e unhas em gel pode causar danos físicos e reações alérgicas. As resinas acrílicas, que requerem endurecimento por radiação ultravioleta (UV), são citadas como as principais responsáveis por alergias.
Os problemas associados incluem:
A entidade destacou a dificuldade para o público geral identificar reações adversas. "Qualquer vermelhidão, descamação ou alteração na textura da unha deve servir de alerta para procurar um dermatologista", orientou a médica.
A SBD enfatizou a importância de medidas preventivas, como:
Para os profissionais, a orientação é utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) e limitar a exposição direta às substâncias.
Até o momento, não há informações sobre o prazo para a retirada completa das substâncias proibidas ou a disponibilidade de produtos alternativos no mercado. Os fabricantes deverão agora reformular seus produtos para adequação às novas exigências da Anvisa.