11 de julho de 2026
ACUSADA E ABSOLVIDA

Presa injustamente por 6 anos, mulher morre após absolvição; veja

Por Will Baldine | Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Damaris Vitória Kremer da Rosa permaneceu presa por seis anos e morreu em 26 de outubro

Uma mulher de 26 anos morreu em decorrência de complicações de um câncer de colo de útero, 74 dias depois de ter sido absolvida pelo Tribunal do Júri, no Rio Grande do Sul. Damaris Vitória Kremer da Rosa permaneceu presa por seis anos e morreu em 26 de outubro, em Balneário Arroio do Silva (SC).

Saiba Mais:

Damaris havia sido acusada de envolvimento no homicídio de Daniel Gomes Soveral, ocorrido em 30 de novembro de 2018, em Salto do Jacuí (RS). Além dela, responderam ao processo Henrique Kauê Gollmann, condenado pelo crime, e Wellington Pereira Viana, que também foi absolvido.

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público em 2019, e Damaris teve prisão preventiva decretada. Durante o processo, ela foi diagnosticada com câncer de colo de útero. A defesa solicitou a revogação da prisão em dezembro de 2024, o que foi negado.

Em março de 2025, os advogados Rebeca Canabarro e Mateus Porto reiteraram o pedido de liberdade, argumentando que a ré se encontrava em fase terminal, acamada e em tratamento paliativo. Damaris dependia de transfusões de sangue e de auxílio constante.

O Ministério Público informou que ela recebeu atendimento médico dentro do presídio após relatar dores abdominais. Em abril de 2025, a Justiça concedeu prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, permitindo que permanecesse na casa da mãe, em Balneário Arroio do Silva.

O julgamento ocorreu em agosto de 2025. O Conselho de Sentença absolveu Damaris por falta de provas que comprovassem a autoria do homicídio e da queima do veículo onde o corpo da vítima foi encontrado.

Damaris morreu em 26 de outubro de 2025. O sepultamento ocorreu no dia seguinte, em Balneário Arroio do Silva.

Posicionamento do Tribunal de Justiça

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul informou que não se manifesta sobre decisões jurisdicionais, mas confirmou que três pedidos de liberdade foram analisados. O primeiro, em 2023, foi negado em todas as instâncias.

Em novembro de 2024, a defesa apresentou novo pedido com base em motivos de saúde. Segundo o TJRS, os documentos apresentados na época não comprovavam o diagnóstico. Em março de 2025, após apresentação de laudos médicos confirmando neoplasia maligna do colo do útero, a prisão preventiva foi convertida em domiciliar.

O tribunal autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o deslocamento da ré para tratamento oncológico no Hospital São José, em Criciúma.

Manifestação do Ministério Público

O Ministério Público afirmou que, na primeira solicitação de liberdade, não havia comprovação da doença. Após o segundo pedido, com a apresentação de exames médicos, a soltura foi concedida.