09 de julho de 2026
BENEFÍCIOS

Segundo ciência, avós aumentam a sobrevivência dos netos; Veja

Por Da redação |
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A relação entre avós e netos vai muito além do carinho e da convivência familiar. Pesquisas científicas recentes indicam que esse laço profundo pode, na verdade, representar uma vantagem evolutiva para a sobrevivência humana. É o que sugere a chamada “hipótese da avó”, uma teoria que busca explicar por que os humanos — em especial as mulheres — vivem tanto tempo após o fim da idade reprodutiva.

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Cientistas acreditam que a presença ativa das avós desempenhou um papel essencial na sobrevivência das crianças nas sociedades antigas, garantindo alimento, cuidados e estabilidade emocional. Essa participação teria colaborado não apenas para o cuidado da prole, mas também para o sucesso evolutivo da espécie humana.

Um estudo conduzido por pesquisadores finlandeses, publicado na revista Current Biology, analisou registros populacionais e verificou que crianças entre 2 e 5 anos tinham mais chances de sobreviver quando conviviam com suas avós. A pesquisa também observou que a idade e o estado de saúde das avós influenciavam esses resultados: quanto mais velhas e frágeis, menor o benefício para os netos. Curiosamente, o impacto foi semelhante tanto com avós maternas quanto paternas, com exceção dos casos em que as avós paternas possuíam saúde debilitada.

Os cientistas chamaram atenção ainda para um fenômeno de “competição de cuidados”. Quando as avós necessitam de atenção e recursos, os adultos acabam dividindo tempo e energia entre o cuidado com os mais velhos e as crianças, o que pode gerar um impacto negativo no desenvolvimento dos netos. Mesmo assim, os resultados indicam que o apoio das avós saudáveis é amplamente benéfico para a família.

Além do aspecto social, a neurociência também tem evidenciado o poder desses laços. Um estudo publicado na Proceedings of the Royal Society B mapeou as reações cerebrais de diversas avós ao observarem fotos de filhos e netos. O resultado chamou atenção: a resposta emocional foi mais intensa diante das imagens dos netos, sugerindo um vínculo afetivo singular e um papel biológico ativo na proteção e cuidado com eles.

Mas a explicação para a força dessa ligação para nos aspectos afetivos. A genética também tem protagonismo. A bioestatística Clarice R. Weinberg, em artigo no American Journal of Human Genetics, revelou uma tendência matrilinear na transmissão de traços genéticos. Segundo ela, características biológicas e predisposições podem ser mais fortemente herdadas por meio da linha materna, devido à interação entre mãe e filho durante a gestação — o que inclui também o DNA mitocondrial, transmitido exclusivamente pelas mulheres.

Esse tipo de herança genética, passada de mães para filhas, foi crucial para avanços científicos nas últimas décadas e permitiu desvendar mistérios sobre ancestralidade, doenças hereditárias e evolução humana. Assim, compreender como as avós influenciam biologicamente as gerações seguintes reforça a ideia de que esse papel vai além do emocional — ele é físico, genético e evolutivo.

Embora cada família tenha suas próprias dinâmicas e formas de relacionamento, as evidências mostram que o vínculo entre avós e netos é um dos mais poderosos da biologia humana. Entre genética, cuidado e convivência, a figura da avó parece ser um pilar invisível que conecta passado, presente e futuro — lembrando que, quando ela está por perto, o amor é apenas uma das muitas formas de sobrevivência que a natureza nos legou.