O Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, anunciou nesta sexta-feira (10) a premiação do Nobel da Paz de 2025 à líder opositora venezuelana María Corina Machado. A honraria consagra os "esforços persistentes em favor da restauração pacífica da democracia e dos direitos humanos" em uma Venezuela marcada por crises e autoritarismo. Aos 58 anos, Machado emerge como um símbolo global de resiliência.
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A notícia pegou Machado de surpresa. "Estou em choque", expressou a líder em sua primeira reação pública, durante uma ligação com Edmundo González Urrutia, o candidato apoiado por ela nas eleições de 2024 e que hoje vive exilado na Espanha. González, emocionado, compartilhou a conversa nas redes sociais, celebrando o prêmio como um "reconhecimento muito merecido" para a batalha por liberdade e democracia travada por Machado e pelo povo venezuelano.
O comitê ressaltou o papel de Machado como um "exemplo extraordinário de coragem civil na América Latina", uma figura que "mantém acesa a chama da democracia em meio à escuridão crescente" no país. Sua trajetória política é um espelho das turbulências venezuelanas. Nascida em Caracas em 1967, com formação em engenharia industrial e finanças, ela migrou do setor privado para o ativismo, cofundando a Súmate, organização crucial no monitoramento eleitoral e na promoção de processos livres. Em 2010, foi eleita deputada da Assembleia Nacional com uma votação recorde, mas sua atuação foi bruscamente interrompida pelo governo chavista, que a destituiu quatro anos depois.
Apesar de ter vencido as primárias da oposição em 2023 com mais de 90% dos votos, o caminho de Machado rumo à presidência foi barrado pelo Supremo Tribunal de Justiça, alinhado ao governo, que a inabilitou por 15 anos de cargos públicos. Mesmo sob perseguição, com aliados detidos ou forçados ao exílio e até uma breve prisão em janeiro deste ano, Machado continuou a percorrer o país na clandestinidade, defendendo reformas econômicas liberais, como a privatização de empresas estatais, e programas sociais.
O reconhecimento internacional não é novidade para a venezuelana, descrita pelo Comitê do Nobel como uma "figura unificadora". Em 2024, ela e Edmundo González já haviam recebido o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos da União Europeia. Machado agora se une a um seleto grupo: é a 20ª mulher entre os 112 homenageados com o Nobel da Paz desde 1901. O prêmio inclui 11 milhões de coroas suecas, aproximadamente R$ 6,2 milhões.
A premiação ocorre em um momento crítico para a Venezuela, um país outrora democrático que agora enfrenta um regime autoritário. A nação é assolada por pobreza extrema, censura e prisões políticas, impulsionando o êxodo de mais de 8 milhões de cidadãos. As eleições de 2024, marcadas por denúncias de fraude e pela reeleição contestada de Nicolás Maduro, resultaram em protestos violentos e na morte de mais de 20 pessoas, segundo a Associated Press. Ao honrar María Corina Machado, o Comitê do Nobel reafirma a crença de que as ferramentas da democracia são, intrinsecamente, as ferramentas da paz.