As exportações de Piracicaba cresceram em setembro, segundo mês após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. De acordo com dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o município registrou embarques que somaram US$ 255 milhões, acima dos US$ 230,1 milhões contabilizados em agosto.
O resultado mantém Piracicaba entre os principais polos exportadores do Estado de São Paulo. No mês, o município ocupou a quinta colocação no ranking estadual de exportações, reforçando a importância do setor industrial local, especialmente o ligado à produção de veículos, máquinas e equipamentos.
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Mesmo com o aumento nas exportações totais, as vendas para o mercado norte-americano — principal destino dos produtos piracicabanos — permaneceram estáveis. Em setembro, os envios aos Estados Unidos somaram US$ 131,1 milhões, o que representa 51,4% do total exportado pela cidade. A estabilidade ocorre apesar do impacto das tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre parte dos produtos brasileiros.
As importações, por sua vez, totalizaram US$ 308,9 milhões, resultando em um saldo negativo de US$ 53,9 milhões na balança comercial do município. O desempenho reflete o aumento na aquisição de insumos e componentes utilizados pela indústria local, que segue em ritmo de produção elevado.
Em agosto, primeiro mês após o início da vigência das novas tarifas, Piracicaba havia registrado estabilidade nas exportações, com leve variação positiva de 0,8% em relação ao mesmo mês de 2024. Naquele período, os Estados Unidos também responderam por cerca de 51% das vendas externas, demonstrando a continuidade da parceria comercial mesmo diante das barreiras tarifárias.
Para o economista e professor da Unicamp, Luiz Eduardo Gaio, o aumento das exportações de Piracicaba para os Estados Unidos, mesmo após o anúncio do tarifaço “surpreende por contrariar as expectativas de retração no curto prazo”, diz.
Em setembro de 2025, o município exportou US$ 255 milhões, crescimento de 11,26% em relação a agosto e de 2,86% frente ao mesmo mês de 2024. “As vendas para o mercado norte-americano somaram US$ 131 milhões, alta expressiva de 28,9% em relação a setembro do ano anterior, o que elevou a participação dos Estados Unidos de 41% para 51% nas exportações totais da cidade”, explica.
De acordo com o economista, há razões econômicas que ajudam a compreender esse movimento. “Piracicaba possui um perfil exportador baseado em bens de alto valor agregado, como máquinas, equipamentos agrícolas e produtos metalmecânicos. Esses setores operam, em geral, com contratos de longo prazo, o que reduz o impacto imediato de mudanças tarifárias. Além disso, o câmbio desvalorizado e a boa infraestrutura logística da região sustentam a competitividade dos produtos locais, mesmo em um ambiente externo mais protecionista”, diz.