Em votação relâmpago na noite de quarta-feira (1º), a Câmara dos Deputados carimbou, por 493 votos a zero, a maior mudança no Imposto de Renda Pessoa Física em quase uma década: a faixa de isenção sobe para salários de até R$ 5 mil mensais. A medida, segundo o Ministério da Fazenda, alivia imediatamente o bolso de pouco mais de 15 milhões de contribuintes e provoca renúncia fiscal estimada em R$ 25,8 bilhões por ano.
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Para fechar a conta, o mesmo texto cria uma cobrança extra de até 10% sobre quem declara entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão anuais — público que representa só 0,13 % dos declarantes e que hoje desembolsa, em média, 2,54 % de IR. A Fazenda projeta arrecadar R$ 34,12 bilhões com a nova alíquota, valor suficiente para neutralizar a renúncia e, se sobrar, compensar estados e municípios ou até baixar a futura Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) prevista na reforma tributária.
A relatoria do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reordenou a tabela progressiva. Veja quanto cada faixa economizará por ano, segundo cálculos oficiais:
Embora o ganho integral concentre-se em quem recebe até R$ 5 mil, trabalhadores que ganham até R$ 7,3 mil sentirão algum alívio parcial. O governo defende que, somada à taxação sobre altas rendas, a proposta tem impacto fiscal neutro e melhora a distribuição de renda.
O Senado indica que só votará a pauta após análise técnica da Comissão de Assuntos Econômicos. Caso senadores alterem o texto, a matéria retorna à Câmara. Empresários de setores intensivos em dividendos articulam ajustes, mas a equipe econômica avalia ter votos para manter o núcleo da proposta.