10 de julho de 2026
ALERTA NACIONAL

Brasil investiga 116 suspeitas e confirma 11 casos de intoxicação

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

O Ministério da Saúde confirmou 11 casos de intoxicação por metanol com comprovação laboratorial em diferentes estados brasileiros.

Outros 116 casos seguem sob investigação, totalizando 127 notificações suspeitas ou confirmadas em 12 unidades da federação.

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O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha, que destacou a atuação conjunta entre estados e governo federal para conter a disseminação de bebidas contaminadas.

Casos sob apuração em 12 estados

De acordo com o ministério, os registros de suspeita foram comunicados por Pernambuco, Distrito Federal, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, São Paulo, Roraima, Minas Gerais, Espírito Santo, Piauí e Goiás. No Piauí, um dos casos sob investigação está localizado na cidade de Parnaíba, onde o ministro cumpriu agenda.

O governo federal reforçou a orientação para que todos os estados notifiquem imediatamente quaisquer casos clínicos suspeitos, a fim de acelerar o tratamento das vítimas e apoiar as autoridades policiais na identificação das fontes de bebidas adulteradas.

Antídoto chega ao Brasil em caráter emergencial

Como resposta à crescente preocupação com as intoxicações, o governo anunciou a compra emergencial de 2.500 tratamentos com fomepizol, o principal antídoto contra os efeitos do metanol no organismo. A negociação foi feita com uma farmacêutica japonesa, apenas um dia após o lançamento de um chamamento internacional para aquisição do medicamento.

O valor da compra não foi revelado, mas o ministro Padilha explicou que, por se tratar de um produto de baixa disponibilidade global, dez países e sete empresas foram acionados até que o contrato fosse fechado. O processo dispensou licitação devido à urgência do caso.

O fomepizol atua bloqueando a enzima responsável por converter o metanol em substâncias altamente tóxicas, como formaldeído e ácido fórmico, que podem causar graves danos neurológicos e metabólicos. O medicamento, aplicado por via injetável, ainda não integra a política nacional de antídotos toxicológicos.

Apesar disso, a secretária de Vigilância em Saúde, Mariângela Batista Galvão Simão, tranquilizou a população: “O que temos disponível atualmente, como o etanol intravenoso, já é eficaz para os casos atuais. Não há motivo para pânico.”

Mortes e áreas mais afetadas

Até o momento, o país confirmou uma morte em decorrência da intoxicação por metanol, registrada em São Paulo. Outras sete mortes estão sob apuração, sendo cinco no mesmo estado — três na capital e duas em São Bernardo do Campo — e duas em Pernambuco, nas cidades de Lajedo e João Alfredo.

Entenda o perigo do metanol

O metanol, também conhecido como álcool metílico, é uma substância líquida, incolor e altamente tóxica. Diferente do etanol, utilizado em bebidas alcoólicas, o metanol não é seguro para o consumo humano. A ingestão, mesmo em pequenas quantidades, pode causar náuseas, vômitos, dor de cabeça, visão borrada, convulsões, coma, danos neurológicos irreversíveis e até morte.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), apenas 10 ml de metanol puro podem causar cegueira, enquanto 30 ml podem ser fatais. A substância costuma ser usada legalmente na indústria química, mas tem sido ilegalmente adicionada a combustíveis e bebidas adulteradas por seu baixo custo.

O Ministério da Saúde reforça que a população deve consumir apenas bebidas de procedência conhecida, com rótulo, lacre e selo fiscal, e procurar atendimento médico imediato diante de qualquer sintoma suspeito após o consumo de álcool.