Noventa e quatro anos atrás, um mês após o fim da Revolução Constitucionalista de 1932, Piracicaba voltava a respirar o ar da tranquilidade. A cidade estava em frangalhos, mas preparava-se para se reerguer. A imprensa se cala na volta dos voluntários que foram aos frontes de batalha.
Apenas um ano depois o assunto volta à pauta dos jornais.
HOMENAGEM – “Amanhã, primeiro anniversario da data maior do Estado de S. Paulo, haverá uma grande romaria popular ao cemitério municipal, com o fim de homenagear a memoria dos bravos piracicabanos que, em defesa de um ideal, perderam a vida no campo de lucta. Será uma cerimonia de civismo e de saudade, a qual, Piracicaba inteira vae prestar assistencia, tributando aos seus mortos queridos o preito do seu reconhecimento. O revmo. padre Vicente Rizzo, ex-capellão das tropas constitucionalistas e actual vigário da parochia do Bom Jesus, officiará u’a missa solenne na Capella da Necropole Piracicabana. A partida dos romeiros dar-se-á ás 9 horas da manhã, do largo da Matriz”. (Gazeta de Piracicaba, 8 de julho de 1933)
“Guardando um minuto de silencio, em prece fervorosa, os paulistas de todos os rincões prestarão, hoje, um preito de homenagem aos seus heróes tombados no campo de honra nos dias inesqueciveis do movimento revolucionário de 1932. A homenagem é de silencio e prece apenas, porque a palavra não será jamais suficiente para fotografar os sentimentos bandeirantes em relação á grandeza dos seus mártyres. Com esse proposito e com esse programma, os abaixo assignados, reunidos em commissão, convidam o povo piracicabano, e especialmente os voluntarios que serviram a São Paulo pelo bem do Brasil, para assistir á missa solenne a ser rezada pelo revmo. Padre Vicente Rizzo, ex-capelão das tropas constitucionalistas, ás 9 horas da manhã, na Capella do Cemiterio Municipal, e visitar em signal de respeito e carinho, os túmulos dos bravos soldados desta terra. Nisso ha somente o cumprimento de dever cívico e christão”.
A comissão de ex-combatetentes: Padre Vicente Rizzo, Jacob Diehl Netto, Orlando Carneiro, Francisco Carlos de Castro Neves, A. Morais Sampaio, Odilon Martins Cruz, Antonio Oswaldo Ferraz, Lauro A. C. de Almeida, Arthur Ferreira Cintra, B. Salustiano Cruz (O Momento e Gazeta de Piracicaba, 9 de julho de 1933, primeiro ano da Revolução Constitucionalista).
Sessão: Um grupo de academicos da nossa Escola Agricola convida por intermedio do nosso jornal a todos os estudantes das escolas superiores desta cidade, aos membros representativos de todas as correntes politicas locaes e ao povo em geral para assistirem sessão cívica que realizar-se-á as 17 horas no Theatro Polytheama. Falarão diversos oradores (Gazeta de Piracicaba, 9 de julho de 1933)
Comemorações: Transcorrendo a 9 de julho o primeiro anniversario da revolução paulista, realizaram-se nesta cidade varias solennidades. Pela manhã, às 9,30 com a presença de um numero elevado de pessoas, todas as representações sociaes, effectuou-se na Capella do Cemiterio Municipal uma solenne missa, em sufrágio das almas dos que tombaram no campo de lucta, em defesa de um ideal. Foi officiante o revmo. padre Vicente Rizzo, ex-capelão das tropas constitucionalistas. Terminada a solennidade, foram visitados os túmulos dos bravos combatentes piracicabanos, mortos em varios sectores. A commissão que se propoz realizar esse acto religioso, era composta dos srs. padre Vicente Rizzo, dr. Jaboc Dihel Neto, dr. Orlando Carneiro, Francisco Carlos de Castro Neves, prof. A Moraes Sampaio, Odilon Martins Cruz, prof. Antonio Martins Cruz, prof. Antonio Oswaldo Ferraz, Lauro A. C. de Almeida, Arthur Ferreira Cintra e prof. B. Salustiano Cruz.
Cinema: “Ás 17 horas, attendendo a um convite dos estudantes de agronomia, innumeras pessoas dirigiram-se ao Polytheama, em cujo recinto realizar-se-ia uma sessão solenne, commemorativa da data de 9 de Julho. Aberta a sessão pelo dr. Moacyr do Amaral Santos, que produziu um discurso allusivo aos gloriosos feitos da gente paulista, usaram da palavra os srs. Angelo Bourroul Sangirardi, acadêmico de Direito, da Capital Ottoni, Lauro de Almeida, nosso redactor-chefe e Linneu de Souza Dias, todos elles fortamente aplaudidos pela numerosa assistência”. (Gazeta de Piracicaba, 11 de julho de 1933)