Bragantino, Mirassol, Ponte Preta, Guarani, Novorizontino e Botafogo-SP chegaram à proibição sem casa de apostas no espaço principal da camisa. Mesmo assim, quatro deles pedem ao Supremo a suspensão da medida.
Quando a medida provisória que proibiu as apostas online foi publicada, em 25 de setembro de 2026, os clubes ganharam até 5 de outubro para tirar das camisas as marcas de casas de apostas. Os grandes da capital tiveram de trocar ou suspender patrocinadores às pressas. No interior paulista, quase não havia o que tirar.
Bragantino, Mirassol, Ponte Preta, Guarani, Novorizontino e Botafogo-SP chegaram à proibição sem bet no espaço principal do uniforme. Mesmo assim, Ponte Preta, Guarani, Mirassol e Novorizontino pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da medida.
O contraste com a elite é grande. Quando a MP foi publicada, 14 dos 20 clubes da Série A tinham uma bet como patrocinadora máster. Em 2025, as casas de apostas pagaram R$ 1,14 bilhão aos clubes, cerca de 7,9% das receitas da Série A.
Quem tinha bet na camisa
Nenhum dos seis clubes tinha uma casa de apostas no espaço máster quando a MP chegou. Quatro deles já tinham tido uma.

Quem ocupou o espaço das bets no interior?
Onde havia bet no peito, o espaço foi ocupado por empresas de outros setores, ou ficou vazio.
- Guarani: a RIO Investidora e Construtora, de Indaiatuba, estreou como patrocinadora máster em 31 de maio de 2026, contra o Amazonas, pela Série C. O acordo vale até o Paulistão de 2027.
- Ponte Preta: a Crear Empreendimentos, empresa do setor imobiliário sediada em Paulínia, assumiu o espaço principal em setembro de 2026 até ao fim da Série B, com opção de renovação para 2027.
- Novorizontino: o Açúcar Santa Isabel substituiu a Pagol Bet no espaço máster.
- Botafogo-SP: desde a saída da HanzBet, joga sem patrocinador máster.
- Mirassol e Bragantino não precisaram trocar nada. A Poty é a patrocinadora máster do Mirassol há vários anos, e a Seara ocupa os ombros da camisa desde março de 2026. O Bragantino leva a marca da Red Bull, dona do clube.
Os valores desses contratos, na maioria, não foram divulgados.
Por que os clubes foram ao STF mesmo assim
Ponte Preta e Guarani reconhecem, no pedido ao STF, que não têm patrocínio máster de casas de apostas. O argumento é outro: a proibição fecha uma das principais fontes de novos patrocinadores do futebol brasileiro.
Cada um aponta um problema próprio. O Guarani cita o processo de recuperação judicial. A Ponte Preta cita o plano de pagamento de dívidas trabalhistas.
O pedido, assinado também por São Paulo, Vitória e Portuguesa, defende a suspensão da MP. Se isso não for aceito, os clubes querem um período de transição de um ano para os contratos assinados antes da proibição. Segundo eles, essas receitas já estavam no orçamento de 2026. Mirassol e Novorizontino também foram ao Supremo contra a medida.
A articulação começou antes. Em 28 de setembro, os clubes paulistas das Séries A e B, entre eles Bragantino, Mirassol, Novorizontino, Botafogo-SP e Ponte Preta, se reuniram na Federação Paulista de Futebol para discutir o impacto da MP.
O governo federal sustenta o contrário. O presidente Lula afirmou que o fim das bets não prejudica o futebol. Uma linha de crédito com juros mais baixos para os clubes está em estudo, com participação da CBF.
Por que as bets já tinham saído do interior
Para Felipe Pereira, editor-chefe do sitedeapostas.com, portal que acompanha o mercado de apostas há mais de seis anos, o interior sentiu primeiro o efeito da regulamentação: "Os clubes do interior eram patrocinados, em geral, por bets menores. Quando a licença passou a custar R$ 30 milhões, essas empresas foram as primeiras a sair, e as que ficaram concentraram o investimento nos clubes grandes. Quando a MP chegou, esses clubes já tinham perdido o patrocinador de apostas. A proibição pesa mais no que poderia vir do que no que eles têm hoje."
Três movimentos tiraram as casas de apostas das camisas do interior antes da proibição.
Primeiro, a regulamentação. Em outubro de 2024, só puderam continuar operando as empresas que tinham pedido autorização ao governo. Desde janeiro de 2025, só as autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. A Dafabet, patrocinadora máster do Guarani, ficou fora da lista e encerrou as operações no país em 10 de outubro de 2024. Até a publicação da MP, 187 marcas tinham autorização para operar, segundo levantamento do Site de Apostas.
Depois, o encerramento de marcas autorizadas. A HanzBet era a patrocinadora máster do Botafogo-SP e estava nas costas da camisa do Bauru Basket. Em julho de 2025, a marca encerrou as operações após um conflito com a empresa que detinha a licença. O site ficou no ar apenas para os apostadores sacarem os saldos.
Por fim, o desinvestimento do setor. A Série B começou o ano de 2026 com 9 dos 20 clubes sem patrocinador máster, num momento em que o setor de apostas dava sinais de retração por causa da regulamentação. Os contratos também ficaram mais curtos: o da Pagol Bet com o Novorizontino valeu só até o fim do Paulistão, no início de março.
O que os clubes dizem ao STF é que a medida impede esse patrocínio de voltar.
O que vem a seguir
O futuro do patrocínio no futebol depende de três frentes, nenhuma com data marcada.
- STF: as ações de entidades do setor e dos clubes pedem a suspensão da MP. O STF deverá avaliar a decisão depois das eleições.
- Congresso: a MP tem força de lei desde 25 de setembro de 2026, mas precisa ser votada pelos parlamentares. A partir de 9 de novembro, passa a trancar a pauta. O prazo final, contando o recesso, vai até final de janeiro de 2027.
- Governo: a linha de crédito para os clubes segue em discussão.