25 de setembro de 2026
RELIGIÃO

Flávio, Jesus e Nossa Senhora: entenda polêmica que atinge o Vale

Por Da redação | Aparecida
| Tempo de leitura: 3 min
Fernando Frazão/Agência Brasil
Flávio Bolsonaro em comício no Rio de Janeiro

A polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro (PL) começou após uma declaração do candidato à Presidência sobre Jesus Cristo.

Em vídeo publicado em 24 de agosto, ao justificar a ausência em um debate da Band, Flávio afirmou que, caso seja eleito, um de seus primeiros atos será “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

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A fala voltou ao centro do debate político e religioso nesta semana, depois que uma informação falsa passou a circular nas redes sociais associando o candidato a uma suposta tentativa de retirar de Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Na ocasião, Flávio justificava a decisão de não participar do debate porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário na disputa, também não estaria presente. “Eu quero debater com quem não acredita em Deus”, afirmou o senador no vídeo.

A declaração sobre Jesus Cristo ganhou novos contornos no contexto eleitoral porque toca em uma divisão existente dentro do próprio cristianismo. Enquanto a devoção a Nossa Senhora e seu papel de intercessora fazem parte da tradição católica, grupos cristãos de outras denominações não reconhecem Maria dessa forma.

Foi nesse ambiente que, na quinta-feira (24), a jornalista Maria Cristina Fernandes mencionou, durante o programa “Em Pauta”, da GloboNews, uma suposta articulação de grupos evangélicos para retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de Padroeira do Brasil e relacionou o episódio ao cenário eleitoral.

A informação, porém, estava incorreta. A própria GloboNews posteriormente exibiu uma correção e pediu desculpas.

A proposta citada havia sido apresentada em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, mas foi arquivada pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008. Não há registro de que Flávio Bolsonaro tenha apresentado ou defendido uma proposta atual para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

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Flávio reage

Com a repercussão nas redes sociais, Flávio publicou um vídeo para negar qualquer intenção de alterar o título de Nossa Senhora Aparecida. O candidato afirmou que a informação era uma “fake news” e disse que não existe projeto nesse sentido.

Na publicação, Flávio também declarou respeitar todas as religiões e pessoas que não seguem nenhuma religião. A manifestação ocorreu em meio à crescente disputa eleitoral em torno do eleitorado religioso e à circulação de conteúdos que misturam informações verdadeiras, interpretações políticas e desinformação.

O episódio também foi associado a outra declaração recente de Lula. Em encontro com lideranças protestantes, o presidente afirmou que a Igreja Católica cresce menos do que as igrejas evangélicas por não acabar com o celibato. A fala provocou desconforto entre integrantes da Igreja Católica.

O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), cardeal Jaime Spengler, afirmou que a declaração de Lula gerou desconforto no segmento religioso. Segundo ele, houve uma comparação inadequada entre aspectos religiosos.

Igreja evita entrar na disputa eleitoral

Em meio à repercussão, a CNBB tem reforçado a posição de que a Igreja Católica não declara preferência por candidatos ou partidos. Em manifestações recentes sobre o processo eleitoral, a entidade destacou a importância do diálogo, do respeito e da convivência democrática.

O caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida ganhou dimensão justamente em um momento em que religião e política estão entre os temas mais presentes na campanha presidencial. A proximidade do 12 de outubro, feriado dedicado à Padroeira do Brasil, aumenta ainda mais a atenção sobre a relação dos candidatos com o eleitorado católico.

Em Aparecida, onde está localizado o Santuário Nacional, a devoção à santa reúne milhões de fiéis ao longo do ano. A cidade também tem peso simbólico no cenário político nacional e foi palco de manifestações de diferentes correntes políticas nos últimos anos.

* Com informações do portal UOL