17 de agosto de 2026
TINHAM 2 ANINHOS

'Juntinhas no céu': o adeus às gêmeas Heloísa e Helena em SJC

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min

A despedida de Heloísa e Helena, as gêmeas siamesas de São José dos Campos que morreram aos 2 anos, será nesta segunda-feira (17). As irmãs serão sepultadas às 9h, no Cemitério Municipal Colônia Paraíso, após uma trajetória marcada por cirurgias, esperança e pela luta da família para que elas pudessem ser separadas.

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As meninas morreram neste sábado (15), depois de 15 horas da quinta e última etapa da cirurgia de separação, realizada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Elas nasceram unidas pela cabeça e eram acompanhadas por uma equipe especializada desde os primeiros dias de vida.

O velório acontece no Velório Municipal Paraíso, em São José dos Campos. O sepultamento está marcado para as 9h desta segunda-feira (17), no Cemitério Municipal Colônia Paraíso.

A morte encerrou uma história que, durante dois anos, foi acompanhada de perto pela família, marcada por dificuldades, longas internações e a esperança de que Heloísa e Helena pudessem finalmente viver separadas.

Leia mais: Gêmeas siamesas de SJC morrem após 15h de cirurgia de separação

Leia mais: Mãe dá adeus às gêmeas siamesas de SJC: 'minhas eternas saudades'

‘Mamãe ama vocês duas aí no céu’

Após a confirmação da morte das filhas, Claudilene dos Santos publicou uma mensagem de despedida.

“Filhas, minhas eternas saudades. Mamãe ama vocês duas aí no céu.”

A frase resume a dor de uma mãe que acompanhou de perto todas as etapas da trajetória das meninas, desde a descoberta da condição ainda durante a gravidez até as cinco cirurgias realizadas para tentar separá-las.

A família agora retorna a São José dos Campos para se despedir das irmãs.

Descoberta durante a gravidez

A história de Heloísa e Helena começou a mudar ainda durante a gestação. Foi em uma ultrassonografia de rotina que Claudilene descobriu que as filhas tinham uma condição extremamente rara.

Em entrevista a OVALE em 2024, ela contou que recebeu a notícia com desespero.

“Na primeira vez, quando soube da condição, eu só sabia chorar. Chorando, chorando... Me perguntava por que isso comigo?”, relatou.

Heloísa e Helena nasceram com oito meses de gestação no Hospital Municipal da Vila Industrial, em São José dos Campos.

A gravidade da condição ficou ainda mais evidente no nascimento. Segundo a mãe, a médica que realizou o parto chamou a avó das meninas e perguntou se a família sabia que as crianças poderiam não sobreviver.

Quatro dias depois do nascimento, as irmãs foram transferidas de avião para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde passaram a ser acompanhadas por especialistas.

Mãe deixou São José para ficar com as filhas

A transferência mudou completamente a rotina da família.

Claudilene, mãe de seis filhos, deixou São José dos Campos e passou a viver em Ribeirão Preto para acompanhar Heloísa e Helena. Sem uma residência na cidade, chegou a dormir em cadeiras e sofás do hospital enquanto aguardava o momento em que as meninas poderiam passar pela cirurgia.

Enquanto isso, o restante da família continuou em São José dos Campos.

Em 2024, Amarildo Batista da Silva, pai das meninas, contou a OVALE que precisou fazer trabalhos temporários para juntar dinheiro e tentar levar a família para Ribeirão Preto.

“Quando elas nasceram, a Claudinele teve que mudar com elas. Eu fiquei, tive que largar o trabalho para cuidar dos dois meninos e cuidar dos trâmites para conseguir mudar”, afirmou na época.

A família também contou com campanhas e vaquinhas para conseguir enfrentar as despesas provocadas pela longa permanência em Ribeirão Preto.

Cinco cirurgias para tentar separar as irmãs

A separação de Heloísa e Helena exigia uma série de procedimentos devido à complexidade do caso.

Inicialmente, os médicos estimavam que seria necessário esperar cerca de um ano e meio para que as meninas crescessem e atingissem condições consideradas adequadas para enfrentar uma operação de tamanha complexidade.

A espera deu lugar a uma sequência de cinco cirurgias.

Os procedimentos começaram em agosto de 2025 e foram planejados em etapas. A estratégia era preparar gradualmente as estruturas compartilhadas pelas irmãs e reduzir os riscos da cirurgia definitiva.

Quatro etapas foram concluídas antes da operação final.

Última cirurgia durou 15 horas

A quinta etapa foi iniciada neste sábado (15), no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

A cirurgia tinha como objetivo concluir a separação das meninas. O procedimento durou cerca de 15 horas.

Apesar dos esforços da equipe médica, Heloísa e Helena não resistiram e morreram no mesmo dia.

A morte das irmãs provocou comoção entre familiares e pessoas que acompanharam a história desde o nascimento.

Uma história que terminou com despedida

Por quase dois anos, a família viveu entre a esperança e o medo.

Tudo começou com uma descoberta inesperada durante um exame de gravidez. Depois vieram o nascimento prematuro, a transferência para Ribeirão Preto, a mudança da mãe, as dificuldades financeiras e a espera por uma cirurgia considerada extremamente complexa.

As cinco etapas realizadas desde 2025 alimentaram a esperança de que Heloísa e Helena pudessem ser separadas.

A última delas, porém, terminou com a morte das meninas. Agora, a família se prepara para o último adeus.

O velório acontece no Velório Municipal Paraíso, em São José dos Campos. O sepultamento será às 9h desta segunda-feira (17), no Cemitério Municipal Colônia Paraíso.

Heloísa e Helena partiram juntas, como viveram desde o nascimento. “Filhas, minhas eternas saudades. Mamãe ama vocês duas aí no céu”, escreveu Claudilene.