"Descansa em paz minha menina, você e o seu bebê. Muito triste, nem acredito".
As manifestações de comoção nas redes sociais traduzem o sentimento de revolta e dor que tomou conta de Pindamonhangaba e do Vale do Paraíba após a confirmação da morte de Vívian Kathleen de Paiva Macedo, de 26 anos. Grávida, a jovem perdeu a vida na manhã desta quinta-feira (13) em um incêndio dentro de uma residência no bairro Araretama.
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O caso, inicialmente tratado como ocorrência de resgate, ganhou novos e dramáticos contornos após o registro do Boletim de Ocorrência (BO) pela Polícia Civil. Uma câmera de vigilância de uma casa vizinha capturou o momento exato em que Vívian era perseguida na rua por seu cunhado. Nas imagens entregues à polícia, o homem aparece atirando pedras contra a jovem e gritando a frase: “Agora eu te mato!”.
De acordo com os dados apurados no BO registrado na Delegacia de Pindamonhangaba pelo delegado Gil Oliveira e Brito, o cunhado, identificado como Adilson Esmeraldo de Sousa, e o companheiro de Vívian, Júlio Esmeraldo de Souza, figuram na condição de investigados. A classificação, contudo, não significa acusação formal de responsabilidade direta até a conclusão dos laudos técnicos.
Em depoimento prestado aos policiais militares que atenderam a ocorrência via COPOM por volta das 8h44, Adilson relatou que ele, o irmão e Vívian consumiram crack durante toda a noite e madrugada. A noite teria sido marcada por intensas discussões entre os três.
Segundo o relato de Júlio aos policiais, ele decidiu deixar a casa por volta das 7h para tentar cessar a briga, dirigindo-se à residência de sua irmã. Pouco tempo depois da saída de Júlio, uma nova discussão começou entre Vívian e o cunhado. Foi nesse momento que a jovem correu para a rua e acabou perseguida por Adilson, cena gravada pela câmera do imóvel vizinho.
Após o episódio na rua, os dois retornaram à residência. Conforme a versão apresentada por Adilson (que ainda passa por verificação e não se trata de conclusão oficial), Vívian teria entrado em um dos quartos e trancado a porta. Momentos depois, a estrutura começou a pegar fogo.
Adilson alegou aos militares que tentou arrombar a porta, mas não obteve sucesso, passando a gritar por socorro. Vizinhos e populares que viram as chamas invadiram o imóvel e conseguiram conter parte do fogo. Antes mesmo da chegada das equipes do Corpo de Bombeiros e do Resgate, moradores moveram o corpo da jovem do quarto para a sala da casa.
Ao chegarem ao endereço, as equipes de socorro apenas constataram o óbito de Vívian e do bebê.
A Polícia Civil registrou a ocorrência como morte suspeita, sob dúvida razoável quanto à hipótese de suicídio, além do crime de incêndio (Artigo 250 do Código Penal).
Equipes do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML) realizaram perícia rigorosa no local e no corpo da vítima. A autoridade policial determinou uma apuração aprofundada por meio de Inquérito Policial, que aguarda a liberação dos laudos periciais para determinar se o incêndio foi criminoso ou provocado pela própria vítima, esclarecendo definitivamente a dinâmica dos fatos.