04 de agosto de 2026
CÂMARA DE TAUBATÉ

Para manter blindagem, aliados de Sérgio irão abrir CPI dos Fios

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Kauane Gabriela/CMT
Após jornal revelar que CPI da Zona Azul havia perdido prazo, base aliada ao prefeito Sérgio Victor pediu abertura de outra CPI; estratégia visa evitar que oposição solicite investigações

Foi lido na sessão dessa terça-feira (4), na Câmara de Taubaté, o requerimento proposto pela base aliada ao prefeito Sérgio Victor (Novo) que pede a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) "para investigar, acompanhar e apurar as irregularidades e responsabilidades pela manutenção geral (limpezas em áreas de descarte irregular de entulho e materiais inservíveis, capinas de matos, regularização e execução de calçadas, reforma ou construções de muros) nas áreas públicas onde passam os fios de alta tensão sob a responsabilidade da CTEEP – ISA Energia Brasil".

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Como o requerimento foi assinado por mais do que um terço dos 19 vereadores, já é considerado automaticamente aprovado apenas com a leitura na sessão, não sendo necessário passar por votação em plenário. O próximo passo será o presidente da Câmara, Richardson da Padaria (União), instituir a CPI.

O pedido de abertura da CPI foi assinado por oito vereadores da base governista: Bobi (PRD), Alberto Barreto (PRD), Ariel Katz (PDT), Boanerge dos Santos (União), Dentinho (PP), Neneca (PDT), Nicola Neto (Novo) e Zelinda Pastora (PRD).

Bobi, que é o líder do governo na Câmara, será o presidente da CPI. O requerimento cita que Dentinho, Barreto, Nicola, Boanerge e Zelinda serão os outros integrantes da comissão, mas a previsão está em desacordo com o Regimento Interno, que estabelece que as CPIs terão cinco integrantes, incluindo o presidente - o requerimento cita seis. Neneca e Ariel são citados como suplentes.

Reportagem publicada pelo jornal gerou corrida na Câmara

O requerimento que pede a abertura da CPI dos Fios foi protocolado no dia 15 de julho, um dia após OVALE revelar que a CPI da Zona Azul havia perdido o prazo e sido encerrada sem realizar nenhuma coleta de depoimentos e sem apresentar relatório final.

A reportagem foi publicada no dia 14 de julho, às 16h22. Com o encerramento da comissão, seria aberta uma vaga para a abertura de outra CPI na Câmara. Às 16h58, o vereador Douglas Carbonne (Solidariedade), que integra a oposição, chegou a protocolar um requerimento para pedir a abertura de uma CPI "para investigar possíveis irregularidades na gestão administrativa, financeira, contratual e assistencial" do HMUT (Hospital Municipal Universitário de Taubaté). Como o documento tinha apenas a assinatura de Carbonne, a abertura da CPI teria que ser aprovada em plenário na primeira sessão após o fim do recesso, nesse dia 4 de agosto.

O requerimento da base governista foi protocolado no dia 15, às 9h43, mas as assinaturas digitais do documento mostram que a mobilização começou horas após a publicação da reportagem: a primeira assinatura, de Dentinho, foi feita às 21h03 do dia 14. Na manhã do dia 15, após os governistas protocolarem o requerimento com as oito assinaturas, Carbonne pediu a retirada do requerimento dele.

Abertura de CPIs é estratégia para blindar governo

Como o regimento interno da Câmara permite que apenas três CPIs funcionem ao mesmo tempo, as bases governistas costumam abrir três comissões no início de cada legislatura para blindar os prefeitos.

No início de 2025, a base governista tentou abrir três CPIs para blindar Sérgio, mas conseguiu emplacar apenas duas: a da Publicidade e a dos Radares. Já a oposição conseguiu abrir a CPI da Merenda.

A CPI da Publicidade, que tinha 180 dias para concluir os trabalhos, perdeu o prazo e foi encerrada em novembro de 2025. A CPI da Zona Azul foi aberta para substituir a CPI da Publicidade, mas também perdeu o prazo.

As CPIs dos Radares e da Merenda pediram, desde o início, prazo até novembro de 2028. O requerimento da CPI dos Fios também solicitou prazo até novembro de 2028. Ou seja, caso nenhuma dessas comissões seja encerrada antes do prazo, nenhuma outra CPI poderá ser aberta até o fim do mandato dos atuais vereadores.

Das CPIs abertas na atual legislatura, as solicitadas pela base governista (da Publicidade, dos Radares e da Zona Azul) não tiveram nenhuma coleta de depoimentos. Apenas a CPI da Merenda, que é controlada pela oposição, tem feito oitivas.

CPIs em Taubaté são marcadas por perda de prazo

Nas últimas legislaturas da Câmara de Taubaté, as CPIs propostas pelas bancadas governistas para blindar os prefeitos ficaram marcadas por trapalhadas e desperdício de trabalho.

Na legislatura de 2013 a 2016, por exemplo, quando Ortiz Junior (Republicanos) era o prefeito, quatro CPIs foram extintas por perderem o prazo: da Unitau (Universidade de Taubaté), da Dengue, da Superbactéria e dos Radares.

Na legislatura de 2017 a 2020, também com Ortiz como prefeito, mais duas comissões foram extintas por perderem o prazo: das Enchentes e dos Postes. Além disso, outras três CPIs – da Sabesp, da Essencial e da Covid – foram encerradas em dezembro de 2020 sem divulgar os relatórios finais e sem a votação desses documentos em plenário.

De 2021 a 2024, no governo José Saud (PP), três CPIs abertas por aliados do então prefeito foram encerradas posteriormente sem nenhuma reunião pública para a coleta de depoimentos e sem votação dos relatórios em plenário: da Zona Azul, da EcoTaubaté e do IPMT (Instituto de Previdência do Município de Taubaté).

Na legislatura passada, apenas uma CPI, a da Saúde, que era dominada pela oposição, coletou depoimentos e apresentou relatório final - o documento, no entanto, foi rejeitado em plenário em dezembro de 2024, com votação decisiva dos aliados de Saud.