Poucos dias antes de ser assassinado a tiros em frente à própria casa, em São José dos Campos, Gustavo do Prado, de 32 anos, demonstrava aos amigos o desejo de reconstruir sua vida espiritual.
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Segundo o relato de um amigo de infância à reportagem de OVALE, Gustavo falava constantemente sobre voltar a frequentar a igreja, compartilhava mensagens da Bíblia e fazia pregações por áudio para pessoas próximas.
A morte dele, registrada na madrugada de domingo (2), no bairro Capuava, segue sendo investigada pela Polícia Civil. Enquanto as autoridades buscam esclarecer a autoria e a motivação do crime, familiares e amigos se lembram de um homem que cultivava a fé e sonhava em retomar sua caminhada religiosa.
"Eu e o Gustavo crescemos juntos. Tenho fotos nossas desde a infância, passando pela adolescência até a vida adulta. Ele sempre falava que queria voltar para a igreja", contou o amigo.
Segundo ele, Gustavo demonstrava esse desejo não apenas por palavras, mas também por atitudes. Em determinado momento, chegou a doar parte de um terreno de sua propriedade para uma igreja. Mesmo quando não participava regularmente dos cultos, costumava permanecer do lado de fora do templo apenas para ouvir as celebrações.
"Ele gostava muito de falar sobre Deus. Às vezes mandava mensagens sobre a Palavra para os amigos. Uma vez apareceu na minha casa durante a madrugada e ficou pregando para mim. Era uma pessoa que tinha muita fé e dizia que queria voltar definitivamente para a igreja", relatou.
Entre os registros enviados por Gustavo aos amigos está uma longa reflexão sobre arrependimento, fé e transformação espiritual.
Na gravação, ele afirma que "a maior chave para alcançar a glória é o arrependimento" e incentiva as pessoas a permanecerem firmes na Palavra de Deus. Em outro trecho, diz que quem carrega Deus no coração pode até se afastar, mas sempre sentirá vontade de voltar.
As mensagens reforçam o perfil descrito por amigos: um homem que demonstrava religiosidade, acreditava na transformação pela fé e procurava compartilhar esse sentimento com pessoas próximas.
Além da religiosidade, Gustavo também carregava outro sonho desde a juventude. Segundo o amigo de infância, ele desejava servir ao Exército Brasileiro, objetivo que conseguiu realizar.
Depois da passagem pela instituição, passou a trabalhar na montagem de estruturas para eventos, atividade que exercia ao lado de um primo do amigo.
"Era um sonho que ele tinha desde menino e conseguiu conquistar. Era um trabalhador conhecido por muitas pessoas aqui no bairro", afirmou.
Gustavo foi morto por volta das 2h47 de domingo, na Avenida Brasil, no bairro Capuava, região sudeste de São José dos Campos.
Imagens de uma câmera de segurança mostram um veículo estacionando em frente à residência da vítima. Um homem desce do carro, conversa por alguns instantes com Gustavo e, quando a conversa aparentemente termina, saca uma arma e efetua diversos disparos.
As gravações também mostram que, mesmo após Gustavo cair na calçada, o criminoso continuou atirando antes de fugir. O Samu foi acionado, mas apenas constatou o óbito no local.
Durante a perícia, policiais encontraram a residência aberta, com as luzes acesas e a televisão ligada. O celular da vítima e projéteis recolhidos na cena foram apreendidos para exames periciais.
O caso foi registrado inicialmente como homicídio qualificado por motivo fútil, mas a motivação ainda será esclarecida durante o inquérito conduzido pelo 7º Distrito Policial de São José dos Campos.
O amigo ouvido por OVALE afirmou acreditar que o caso precisa ser investigado de forma aprofundada. Segundo ele, há comentários no bairro de que Gustavo teria sido morto após se recusar a emprestar dinheiro, mas ressalta que essa hipótese ainda precisa ser confirmada oficialmente pela Polícia Civil.
Ele também afirmou que o principal suspeito seria conhecido na região por envolvimento em conflitos e que já teria sido preso anteriormente. Essas informações, no entanto, ainda não foram confirmadas pelas autoridades e fazem parte das linhas investigativas que serão analisadas durante o inquérito.
Enquanto a investigação avança, amigos preferem recordar o homem que buscava fortalecer sua fé.
"Ele sempre falava que queria voltar para a igreja. Era isso que estava no coração dele", resume o amigo de infância.