03 de agosto de 2026
DISPUTA POR DROGA

Atirador enviou foto armado após matar rival em SJC, diz polícia

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/Polícia Civil

A Polícia Civil concluiu que o homicídio de Miqueias Daniel Santana Serafim, executado a tiros em outubro de 2025 no Jardim Santa Maria, na zona leste de São José dos Campos, foi resultado de uma emboscada planejada e motivada por disputas relacionadas ao tráfico de drogas.

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Segundo a investigação, o principal acusado, Alisson Wilkson de Oliveira Paschoal, monitorou a rotina da vítima durante dias, comemorou a morte com a mensagem "Check mate" (sic) e afirmou a terceiros que havia "vingado" o primo, morto quatro dias antes.

A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e decretou a prisão preventiva do investigado, destacando a gravidade dos fatos, a periculosidade do réu e o risco de reiteração criminosa. A decisão também aponta que Alisson já estava preso por suposta participação em outro homicídio ocorrido no mesmo bairro.

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Homicídio ocorreu em plena luz do dia

De acordo com o inquérito policial, Miqueias Daniel Santana Serafim foi encontrado morto por volta das 12h33 do dia 16 de outubro de 2025, na Rua Santa Maria, no Jardim Santa Maria. A perícia apreendeu ao lado do corpo uma pistola calibre .380 carregada. Posteriormente, exames balísticos indicaram que a arma havia sido utilizada no assassinato de João Domingos Quintino Silva, ocorrido quatro dias antes.

Segundo a investigação, os dois homicídios estão diretamente ligados.

Polícia aponta sequência de vingança

As apurações indicam que João Domingos Quintino Silva foi morto no dia 12 de outubro de 2025 após ser atraído para uma emboscada. Conforme a Polícia Civil, Alisson teria levado o primo até o local previamente combinado, enquanto Miqueias efetuou os disparos. A motivação seria um conflito interno envolvendo o tráfico de drogas.

Quatro dias depois, segundo o relatório policial, Miqueias passou a ser perseguido por Alisson.

Conversas revelam monitoramento da vítima

A análise dos celulares apreendidos mostrou que, dias antes do crime, Alisson trocou diversas mensagens informando onde Miqueias estava, se permanecia armado e afirmando que não deixaria o bairro antes de "resolver" a situação.

Em uma das conversas, o investigado afirma que, se encontrasse Miqueias novamente, "isso acaba". Em outra, diz que estava acompanhado de um parceiro e que ambos estavam armados. Também afirmou que estava "ajeitando para pegá-lo".

Segundo a Polícia Civil, essas mensagens demonstram que o investigado monitorava constantemente os passos da vítima antes da execução.

"Deu certo" e "Check mate"

No horário aproximado do homicídio, uma pessoa informa Alisson de que Miqueias provavelmente havia sido morto após vários disparos de arma de fogo.

A resposta do investigado, segundo o relatório, foi imediata: "Deu certo."

Em seguida, ele afirma que havia vingado João Domingos. Pouco depois, envia a outro contato a mensagem "Check mate", acompanhada de uma figurinha. A interlocutora pergunta se era certeza de que Miqueias havia morrido, enquanto ambos seguem conversando sobre o crime.

Para os investigadores, as mensagens reforçam os indícios de participação direta de Alisson na execução.

Foto armado após outro homicídio

A investigação também identificou que, logo após o assassinato de João Domingos, Alisson enviou uma fotografia em que aparece armado.

Em outra conversa, ele demonstra preocupação com a existência de imagens do primeiro homicídio, afirmando que estaria "lascado" caso houvesse registros da execução. Também afirma que, após os acontecimentos, poderia viver "bem e feliz", trecho considerado relevante pela investigação.

Tráfico de drogas

O relatório aponta ainda que a extração dos celulares revelou conversas relacionadas ao comércio de drogas.

Segundo os investigadores, Alisson utilizava sua residência para armazenar entorpecentes e, em mensagens, admite que traficava junto com o primo João Domingos. Em outro trecho, afirma que queria "ficar rico no tráfico".

A Polícia Civil também relaciona antecedentes dos dois envolvidos. Miqueias possuía registros por atos infracionais ligados ao tráfico, além de investigações por associação criminosa, incêndio e novo caso de tráfico de drogas.

Já Alisson acumula registros desde a adolescência por tráfico de drogas e também responde por ocorrências de violência doméstica registradas em 2022 e 2024.

Justiça decreta prisão preventiva

Ao decretar a prisão preventiva, o juiz da Vara do Júri destacou que há indícios de que Alisson articulou a execução de Miqueias mediante emboscada, monitorando seus deslocamentos até o momento do assassinato.