22 de junho de 2026
PENITENCIÁRIA

GIR apreendeu facas após motim em Potim; presos são transferidos

Por Da redação | Potim
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Policiais do GIR na Penitenciária 1 de Potim

A SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) informou que duas facas artesanais foram apreendidas durante revista do GIR (Grupo de Intervenção Rápida) na Penitenciária 1 de Potim, após o motim que durou cerca de 18 horas e deixou dois presos mortos e quatro feridos no final de semana. Catorze mulheres e uma criança foram impedidas de sair da unidade pelos presos amotinados.

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Em nota a SAP informou que a unidade opera normalmente nesta segunda-feira (22), “dentro dos parâmetros de segurança”.

A revista do GIR foi feita no domingo (21), logo após os episódios de violência registrados na penitenciária, que está superlotada. As facas artesanais apreendidas foram encaminhadas para a perícia.

A SAP disse também que um Procedimento Disciplinar foi instaurado contra os dois presos envolvidos na ocorrência. Eles foram transferidos para outras unidades prisionais e responderão judicialmente pelos atos praticados.

No sábado (20), foram registrados atos de violência entre os próprios presos, que resultaram na morte de dois detentos e deixaram outros quatro feridos. “Os feridos permanecem em observação e com quadro estável de saúde”, informou a SAP.

A pasta disse que mais informações não serão fornecidas por questão de segurança.

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Presos mortos na rebelião

Os presos Gustavo Santos Lima Lourenço, de 25 anos, e Carlos Matheus Alves da Silva, de 41 anos, foram identificados como as duas vítimas fatais da rebelião na Penitenciária 1 de Potim.

Os dois integravam um grupo de detentos que foi rendido pelos amotinados e submetido a uma sequência de agressões de extrema violência durante o motim. Além das duas mortes, outros quatro presos ficaram feridos.

Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Civil, os presos foram amarrados, espancados e atacados com armas improvisadas, como vergalhões, pedaços de metal, plásticos rígidos e fragmentos de espelhos quebrados.

Um policial penal que participou das negociações relatou ter presenciado a execução de um dos detentos, que, após perder a consciência devido às agressões, foi atingido por diversos golpes perfurocortantes.

A rebelião na penitenciária foi marcada por cenas de extrema violência. Conforme a investigação, os presos amotinados mutilaram os corpos das vítimas, arrastaram os cadáveres pelo pátio da unidade, tentaram pendurá-los na tela de proteção do presídio, incendiaram um dos corpos e praticaram atos de evisceração durante a crise.

O motim começou na manhã de sábado (20), durante o horário de visitas, e só terminou na manhã de domingo (21), após cerca de 18 horas de negociações conduzidas por policiais penais com apoio do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais). Durante todo esse período, 14 mulheres e uma criança permaneceram impedidas de deixar o presídio.

Motim começou após visitas barradas

De acordo com a investigação, a rebelião teve início depois que duas visitantes foram barradas na entrada da unidade. O escâner corporal apontou imagens suspeitas, exigindo exames complementares antes da liberação para acesso ao presídio.

Segundo o depoimento de um policial penal, os detentos conhecidos pelos apelidos de "Batata" e "Proibido", companheiros das visitantes impedidas de entrar, passaram a ameaçar os servidores da unidade. Eles afirmaram que iniciariam uma sequência de homicídios caso as mulheres não fossem autorizadas a entrar e também impediriam a saída dos familiares que já estavam no interior da penitenciária.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, os líderes da rebelião utilizaram a violência contra os próprios presos como forma de pressionar a administração da unidade. Durante toda a negociação, ameaçavam executar novas vítimas caso suas exigências não fossem atendidas.

Presos fizeram barricadas

As negociações foram dificultadas pelas barricadas montadas pelos amotinados com colchões, grades e cobertores, impedindo uma intervenção imediata das forças de segurança sem colocar em risco a vida dos visitantes.

Outro detalhe registrado pela Polícia Civil foi a pichação com a inscrição “Cangaço NC” (Novo Cangaço) em uma parede da penitenciária. A expressão faz referência à modalidade criminosa caracterizada por ataques violentos promovidos por grupos fortemente armados contra pequenas cidades.

Após cerca de 18 horas de tensão, os líderes da rebelião se renderam. Os visitantes foram libertados sem ferimentos físicos.

A Polícia Civil identificou nove presos como responsáveis pelos homicídios, tentativas de homicídio, agressões e atos de vandalismo praticados durante o motim. O inquérito também apura o cárcere privado dos visitantes e a participação individual de cada envolvido nos crimes registrados durante a rebelião.

Penitenciária está superlotada

A Penitenciária 1 de Potim possui capacidade informada para 748 presos, mas abrigava 1.302 detentos antes do episódio. Isso representa 554 pessoas acima da capacidade nominal e uma ocupação equivalente a cerca de 174% das vagas disponíveis.

O setor de regime semiaberto também apresentava ocupação superior à capacidade: 129 presos para 96 vagas. O número equivale a aproximadamente 134% da estrutura prevista.