Os presos Gustavo Santos Lima Lourenço, de 25 anos, e Carlos Matheus Alves da Silva, de 41 anos, foram identificados como as duas vítimas fatais da rebelião na Penitenciária 1 de Potim, que durou cerca de 18 horas neste final de semana.
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Os dois integravam um grupo de cinco detentos que foi rendido pelos amotinados e submetido a uma sequência de agressões de extrema violência durante o motim. Além das duas mortes, outros quatro presos ficaram feridos.
Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Civil, os cinco presos foram amarrados, espancados e atacados com armas improvisadas, como vergalhões, pedaços de metal, plásticos rígidos e fragmentos de espelhos quebrados.
Um policial penal que participou das negociações relatou ter presenciado a execução de um dos detentos, que, após perder a consciência devido às agressões, foi atingido por diversos golpes perfurocortantes.
A rebelião na Penitenciária 1 de Potim foi marcada por cenas de extrema violência. Conforme a investigação, os presos amotinados mutilaram os corpos das vítimas, arrastaram os cadáveres pelo pátio da unidade, tentaram pendurá-los na tela de proteção do presídio, incendiaram um dos corpos e praticaram atos de evisceração durante a crise.
O motim começou na manhã de sábado (20), durante o horário de visitas, e só terminou na manhã de domingo (21), após cerca de 18 horas de negociações conduzidas por policiais penais com apoio do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais). Durante todo esse período, 14 mulheres e uma criança permaneceram impedidas de deixar o presídio.
Motim começou após visitas barradas
De acordo com a investigação, a rebelião teve início depois que duas visitantes foram barradas na entrada da unidade. O escâner corporal apontou imagens suspeitas, exigindo exames complementares antes da liberação para acesso ao presídio.
Segundo o depoimento de um policial penal, os detentos conhecidos pelos apelidos de "Batata" e "Proibido", companheiros das visitantes impedidas de entrar, passaram a ameaçar os servidores da unidade. Eles afirmaram que iniciariam uma sequência de homicídios caso as mulheres não fossem autorizadas a entrar e também impediriam a saída dos familiares que já estavam no interior da penitenciária.
Ainda conforme o boletim de ocorrência, os líderes da rebelião utilizaram a violência contra os próprios presos como forma de pressionar a administração da unidade. Durante toda a negociação, ameaçavam executar novas vítimas caso suas exigências não fossem atendidas.
Presos amotinados fizeram barricadas
As negociações foram dificultadas pelas barricadas montadas pelos amotinados com colchões, grades e cobertores, impedindo uma intervenção imediata das forças de segurança sem colocar em risco a vida dos visitantes.
Outro detalhe registrado pela Polícia Civil foi a pichação com a inscrição “Cangaço NC” (Novo Cangaço) em uma parede da penitenciária. A expressão faz referência à modalidade criminosa caracterizada por ataques violentos promovidos por grupos fortemente armados contra pequenas cidades.
Após cerca de 18 horas de tensão, os líderes da rebelião se renderam. Os visitantes foram libertados sem ferimentos físicos.
A Polícia Civil identificou nove presos como responsáveis pelos homicídios, tentativas de homicídio, agressões e atos de vandalismo praticados durante o motim. O inquérito também apura o cárcere privado dos visitantes e a participação individual de cada envolvido nos crimes registrados durante a rebelião.
Penitenciária está superlotada
A Penitenciária 1 de Potim possui capacidade informada para 748 presos, mas abrigava 1.302 detentos antes do episódio. Isso representa 554 pessoas acima da capacidade nominal e uma ocupação equivalente a cerca de 174% das vagas disponíveis.
O setor de regime semiaberto também apresentava ocupação superior à capacidade: 129 presos para 96 vagas. O número equivale a aproximadamente 134% da estrutura prevista.