A rebelião na Penitenciária 1 de Potim, no Vale do Paraíba, teve início após a administração da unidade impedir a entrada de duas visitantes durante o horário regular de visitas do sábado (20), depois de irregularidades serem detectadas no escâner corporal. A decisão desencadeou uma reação imediata e violenta atribuída a dois detentos, apontados pela Polícia Civil como líderes da crise.
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Segundo o boletim de ocorrência, as imagens consideradas suspeitas no equipamento de inspeção, conhecido como body scanner, levaram a direção da unidade a reter as visitantes para exames complementares. Embora não tenha sido confirmado o porte de objetos ilícitos, a medida foi adotada como procedimento de segurança.
A partir da negativa, dois presos ligados às mulheres barradas teriam iniciado as ameaças, exigindo a liberação das visitantes e prometendo iniciar uma revolta caso a decisão não fosse revertida. A situação rapidamente escalou, com relatos de intimidação contra servidores e a imposição de um cenário de tensão dentro do pavilhão.
A Polícia Civil aponta que a reação evoluiu para um motim de grandes proporções, durante o qual detentos mantiveram outros presos e visitantes sob domínio por cerca de 18 horas. Ao longo da crise, houve agressões internas, uso de objetos improvisados como armas e episódios de extrema violência entre os envolvidos.
O boletim também indica que presos foram diretamente submetidos a torturas durante a rebelião. Dois deles acabaram mortos e outros quatro ficaram feridos. As vítimas fatais foram identificadas como Gustavo Santos Lima Lourenço, de 25 anos, e Carlos Matheus Alves da Silva, de 41 anos.
De acordo com as investigações, os líderes do motim utilizaram a violência como forma de pressão contra a administração da unidade prisional, chegando a ameaçar novas execuções caso suas exigências não fossem atendidas.
Nove detentos foram identificados e indiciados por envolvimento direto nos crimes de homicídio, tentativa de homicídio, cárcere privado e outros atos ocorridos durante a rebelião.
Outro detalhe registrado pela investigação foi a inscrição "Cangaço NC (Novo Cangaço)" pichada pelos presos em uma parede da penitenciária. A expressão faz referência à modalidade criminosa conhecida por ataques violentos promovidos por grupos fortemente armados contra pequenas cidades.
Catorze mulheres e uma criança ficaram sob domínio de presos por quase 18 horas durante motim na Penitenciária 1 de Potim. Elas eram familiares de presos e viveram momentos de terror na unidade, segundo o boletim de ocorrência da Polícia Civil.
O boletim de ocorrência detalha que os visitantes permaneceram sob o domínio dos detentos enquanto os amotinados promoviam sessões de violência extrema, ameaçavam executar novos presos e impediam qualquer tentativa de resgate.
As negociações para encerrar o motim contaram com a atuação de policiais penais e apoio do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais). Barreiras improvisadas dificultaram o avanço das equipes de segurança, prolongando a crise até a manhã de domingo (21), quando os detentos se renderam e os visitantes foram libertados sem ferimentos físicos.
A Polícia Civil instaurou inquérito para aprofundar a investigação sobre a dinâmica dos crimes, a responsabilidade individual dos envolvidos e as circunstâncias que levaram ao início da rebelião.
A Penitenciária 1 de Potim possui capacidade informada para 748 presos, mas abrigava 1.302 detentos antes do episódio. Isso representa 554 pessoas acima da capacidade nominal e uma ocupação equivalente a cerca de 174% das vagas disponíveis.
O setor de regime semiaberto também apresentava ocupação superior à capacidade: 129 presos para 96 vagas. O número equivale a aproximadamente 134% da estrutura prevista.
Potim já registrou outros episódios de tensão no sistema prisional. Em abril de 2025, um motim no complexo penitenciário deixou três presos feridos e exigiu a atuação do GIR (Grupo de Intervenção Rápida).