O Brasil viveu um marco neste sábado (14) nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. Com atuação dominante no slalom gigante, Lucas Pinheiro Braathen conquistou o primeiro ouro do país em Jogos de Inverno e garantiu a estreia brasileira no pódio olímpico da neve.
A medalha também é a primeira da América Latina na história da competição.
Lucas assumiu o controle da prova já na primeira descida. Marcou 1min13s92 e abriu quase um segundo de vantagem sobre o suíço Marco Odermatt, que fez 1min14s87. O também suíço Loic Meillard registrou 1min15s49 e ficou com o terceiro melhor tempo inicial.
Na segunda descida, o brasileiro manteve o ritmo forte, anotou 1min11s08 e fechou a prova com 2min25s00 no total, confirmando o ouro. Odermatt levou a prata, e Meillard completou o pódio.
VER MAIS
Com o resultado, o país se tornou o nono da história a conquistar ouro olímpico no slalom gigante. Antes desta edição, apenas Áustria, Suíça, Itália, França, Noruega, Estados Unidos, Suécia e Alemanha haviam vencido a prova.
O dado reforça o peso da conquista em uma modalidade tradicionalmente dominada por europeus e norte-americanos.
O Brasil também passa a integrar um grupo restrito: é o terceiro país do Hemisfério Sul a conquistar medalha nos Jogos de Inverno — e o primeiro da América Latina.
Até então, apenas Austrália e Nova Zelândia haviam alcançado o pódio. A Nova Zelândia conquistou sua primeira medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1992. A Austrália subiu ao pódio pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1994 e conquistou seu primeiro ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002.
Agora, o Brasil entra definitivamente nessa lista histórica.
Lucas chegou à Olimpíada cercado de expectativa. Desembarcou para defender o Brasil pela primeira vez como segundo colocado no ranking mundial do slalom gigante e com três medalhas de prata em etapas da Copa do Mundo na temporada.
A condição de favorito não pesou negativamente. Pelo contrário: a pressão foi convertida em regularidade e controle emocional nas duas descidas decisivas.
A trajetória até o ouro incluiu uma reviravolta recente. Nascido em Oslo, na Noruega, filho do norueguês Bjorn Braathen e da brasileira Alessandra Pinheiro de Castro, Lucas decidiu defender o Brasil em 2024.
A escolha ocorreu após um período de incerteza na carreira. Aos 23 anos, o esquiador chegou a indicar que poderia encerrar as atividades competitivas, alegando ter perdido o prazer em competir e insatisfação com a forma como vinha sendo tratado pela federação norueguesa.
Posteriormente, procurou a Confederação Brasileira de Desportos na Neve para manifestar interesse em representar o país de origem materna. À época, ainda não possuía passaporte brasileiro. Após regularizar a documentação, o processo de mudança foi iniciado e concluído a tempo de iniciar o novo ciclo olímpico.