A Polícia Civil de São José dos Campos identificou os dois homens envolvidos no ataque do cachorro da raça bull terrier ao cãozinho Fox, um spitz alemão de sete anos de idade que vive em uma casa no Jardim América, na região sul da cidade. Trata-se do tutor do animal agressor e um amigo dele.
O nome dos suspeitos não foi revelado. Eles estão sendo intimados pela polícia e devem ser ouvidos nos próximos dias. A investigação é conduzida pela delegada Maura Braga.
O tutor do bull terrier é suspeito de ter cometido ao menos outros três ataques com seu cachorro a animais da vizinhança, de acordo com denúncias feitas no perfil oficial do Fox no Instagram.
“O inquérito policial já foi instaurado, a equipe policial está colhendo mais provas e mais imagens de câmeras. Os dois rapazes foram identificados e um deles tem histórico criminal bem extenso. Ele já fez isso com outras pessoas e elas ficam temerosas a colaborar”, afirmou Luís Costa, investigador policial e membro do projeto ‘Cadeia para maus tratos’.
Ele faz parte da equipe do delegado Bruno Lima (PP), defensor da causa animal eleito deputado federal por São Paulo. Lima está colaborando com o caso do cãozinho Fox.
“Os rapazes serão intimados a depor muito em breve. A polícia também pediu avaliação do animal para tomar providência, e recolher esse animal. Na mão de um ser humano esse animal é uma arma, como aconteceu nesse caso. Mas não adianta querer fazer justiça com as próprias mãos. As autoridades estão trabalhando”, afirmou Costa.
VIZINHO
Segundo a enfermeira Sofia Albuquerque, 24 anos, uma das tutoras de Fox, o tutor do bull terrier tem histórico de problemas na vizinhança, tanto que a família dela planeja se mudar de bairro em São José.
“Ele não se dá bem com ninguém, absolutamente ninguém, nem sequer com a própria família, muito menos com a vizinhança. Tanto que ninguém no bairro gosta dele, todo mundo sabe da fama dele. As pessoas têm medo dele”, contou a
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“Tanto ele quanto o cachorro são descontrolados. No caso do ataque ao Fox, ele não contava é que tinha gente vendo e câmera filmando. O cachorro dele é muito agressivo e ele o deixa mais agressivo ainda. Só de você passar pela calçada o cachorro dele dá um mortal, ele sobe assim uns dois metros na parede e dá um pulo para intimidar.”
“O cachorro dele é completamente descontrolado. Mas ele foi ensinado a ser assim pelo dono, que é muito pior do que o próprio cachorro”, disse Sofia.
CÂMERAS
Em São José, o CSI (Centro de Segurança e Inteligência) está contribuindo com o trabalho de investigação da Polícia Civil, disponibilizando suas tecnologias para que os fatos sejam esclarecidos sobre o caso, conforme informou a Secretaria de Proteção ao Cidadão.
A pasta disse que também foram adotadas as medidas administrativas previstas na lei municipal n° 6.897/2005, com relação à condução de animal em via pública. A norma prevê o uso de focinheira em cachorros de grande porte e de raças consideradas agressivas enquanto estiverem nas ruas ou em espaços públicos.
A advogada Raquel Marcondes, que está auxiliando a família tutora de Fox, disse que omissão de cautela na guarda de animal feroz é considerada contravenção penal.
“Hoje foi o Fox, mas poderia ter sido qualquer um aqui. Até quando tutores de cachorro feroz poderão causar todo esse transtorno na vida de tantas pessoas e animais? A pena é muito branda para tamanha crueldade, precisamos de leis mais rígidas contra tutores irresponsáveis”, disse ela.
Um dos movimentos que a família tutora de Fox planeja fazer é por ser criada uma ‘Lei Fox’, que puna quem use cachorros como armas.
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