Eleições

Bolsonaro mente que não xingou ministros e diz que respeitará eleição ‘se urnas forem transparentes’

Por Marcos Eduardo Carvalho |
| Tempo de leitura: 4 min
Bolsonaro, Bonner e Renata Vasconcellos
Bolsonaro, Bonner e Renata Vasconcellos

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, foi o primeiro entrevistado do Jornal Nacional, nesta segunda-feira (20) e, entre outras coisas, negou ter xingado ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele também disse que vai respeitar as eleições se forem 'transparentes'.

“Primeiro, o senhor não falar a verdade quando fala em xingar ministro. Isso é ‘fake news’ da sua parte”, disse Bolsonaro, ao responder a pergunta do jornalista William Bonner, afirmando que não teria xingado ministros.

“Quero transparência nas eleições. E aquela pergunta que eu faço: se eu posso colocar uma tranca a mais, o que eu faço?”, continuou.

Depois, Bonner rebateu o presidente sobre a fake news, lembrando que Bolsonaro chamou Alexandre de Moraes de ‘canalha’ -- o presidente, além disso, também já chamou o então ministros Luís Roberto Barroso de "filho da ****".  “Mas isso é uma página virada e tivemos até um contato amistoso. E quem vai decidir sobre a transparência será, entre eles, as Forças Armadas”, disse o presidente, garantindo que as eleições serão ‘limpas’.

APOIADORES CONTRA A CONSTITUIÇÃO.

Em seguida, o presidente também foi questionado sobre os seus apoiadores, que defendem a intervenção militar, com ele no poder, o que é inconstitucional. Bolsonaro argumentou que quando seus seguidores falam em ‘fechar o Congresso’, é ‘liberdade de expressão’.

 “O que não pode é eu defender isso. É como o AI-5, que não existe mais. E não leva a lugar nenhum”, disse Bolsonaro.

Depois, Bonner perguntou se Bolsonaro iria respeitar o resultado das eleições. “Seja qual for. Os resultados devem e vão ser respeitados, desde que as urnas sejam limpas e transparentes. Vamos botar um ponto final nisso”, afirmou o presidente, após ser interpelado pelos jornalistas.

PANDEMIA.

Outro tema abordado foi a pandemia, quando Bolsonaro disse que não foi responsável por mortes pela Covid-19. Ele novamente questionou o fechamento de comércio e defendeu que as pessoas trabalhassem durante a crise sanitária. E o presidente disse ainda que investiu na compra de vacinas.

“Nós compramos mais de 500 milhões de doses de vacina. Vocês se vacinaram em tempo mais rápido do que outros países. Não poderia eu que iria assinar sete contratos com Pfizer, quando ela não garantia a entrega da vacina”, afirmou.

“O grande erro disso tudo foi o trabalho forte da grande mídia de desestimular o tratamento precoce, o que é uma liberdade dos médicos. Ameaçar, inibir e ameaçar caçar o registro dos médicos”, afirmou.

Depois, disse que não comprou a primeira remessa da Pfizer por causa de suposto efeito colateral das vacinas. “No contrato da Pfizer, diz que não se responsabilize de feito colateral”, disse.

Sobre o ‘virar jacaré’, disse que era uma ‘figura de linguagem’, uma brincadeira, em relação a quem toma as vacinas.

“Disse que deveríamos tratar dos idosos e o resto da população trabalhar. Hoje, muitos países dizem que lockdown foi um erro”, afirmou. “O lockdown atrapalhou mais ainda a economia e pessoas morreram em casa”, disse.

“Não faltou, da nossa parte, investimento bilionário para combater a Covid-19. Até a OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece o nosso trabalho”, disse o presidente.

Bolsonaro também não respondeu à jornalista Renata Vasconcellos sobre o fato de ele ter imitado gente com falta de ar.

Depois, o presidente ainda falou que o Auxílio Emergencial foi uma solução para evitar o que chamou de ‘caos’ nas ruas. E ainda criticou a CPI da Covid-19, questionando supostos desvios de verbas dos estados.

ECONOMIA.

Na sequência, foi questionado sobre o dólar, que aumentou, além da inflação e da taxa Selic e perguntado sobre qual o plano para uma reeleição.

“Minhas primeiras promessas foram frustrados pela pandemia, por uma seca enorme que tivemos no ano passado e também pela pandemia. Hoje, o Brasil é um dos poucos países do mundo com deflação. As taxas de desempregos estão caindo. Os números são fantásticos”, disse Bolsonaro.

Ele também disse que a grande reforma da economia foi feita em 2019. “Tivemos um saldo de 3 milhões de empregos. Tudo isso graças à capacidade da equipe econômica. O Auxílio Emergencial fez com que as cidades não colapsassem”, disse.

Depois, Bolsonaro disse que foi para a Rússia para negociar fertilizantes com o presidente Putin.  “Isso garantiu a segurança alimentar da população brasileira”, disse.

MEIO AMBIENTE.

Quanto ao meio ambiente, os jornalistas questionaram o meio ambiente. “Temos 30 milhões de habitantes na Amazônia. Tentei, nos primeiros dois anos, fazer a regularização fundiária. O presidente da Câmara não colaborou com o projeto. Por que não se fala da França, da Espanha, ou dos Estados Unidos”, disse.

Depois, Bolsonaro disse que os ribeirinhos são responsáveis muitas vezes por colocar fogo nas matas. E disse que está preocupado com o meio ambiente.

Mias adiante, perguntado sobre o ‘centrão’, disse que o jornalista estaria pedindo para ele virar ‘ditador’.

“Você está me estimulando a ser um ditador”, disse Bolsonaro, sobre a pergunta relativa ao ‘Centrão’, o grupo de políticos de outros partidos que apoiam o governo. “Se não tiver acordo com eles, a gente não consegue governar”, afirmou.

Ainda na entrevista, disse que gostaria de ter mantido todos os ministros, mas também ressaltou o que chama de critérios técnicos para ter nos cargos nomes como Marcos Pontes, Tarcísio Freitas e Paulo Guedes.

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