Moradores do Jardim Nova Esperança, área conhecida como Banhado, na zona central de São José dos Campos, relatam situações de opressão durante uma operação da Polícia Militar no bairro. De acordo com os relatos, a presença da PM tem se intensificado na região desde o dia 7 de julho.
Entre os relatos, moradores relatam que pessoas estão sendo revistadas sem motivo, além de serem abordadas com perguntas sobre onde vão, que horas voltam. Além disso, os policiais teriam fechado estabelecimentos comerciais do bairro. Na entrada do local, há uma base móvel da GCM (Guarda Civil Municipal) que é acompanhada por, geralmente, três viaturas. Os moradores afirmam que o número de viaturas no local tem aumentado drasticamente, chegando a oito carros em 24 horas.
A Defensoria Pública, que representa os moradores juridicamente, afirma que encaminhou um ofício ao comando da PM questionando as ações na última quinta-feira (14). "Os moradores estão temerosos, esta é uma ação deliberada com a intenção de fazer os moradores saírem do local", afirma o defensor público José Luiz Simão.
Questionada, a Polícia Militar afirma que "a presença e atuação da Polícia Militar são pautadas pela doutrina de Polícia Comunitária, e Direitos Humanos e os ativos operacionais são distribuídos segundo os Planos de Policiamento Inteligente, observando sempre os diagnósticos situacionais".
"Assim, com início em 7 de julho, a Polícia Militar realiza ação de presença naquela região e, nesse período não há nenhum registro de ocorrências de intimidações, tão pouco excesso de viaturas, pois contamos com uma Base Comunitária Móvel e uma equipe de motos no local", continua a nota.
HISTÓRICO.
Atualmente, a área é uma APA (Área de Proteção Ambiental). Em novembro de 2021, a Prefeitura de São José dos Campos entrou com um novo pedido à Justiça para a retirada imediata de famílias que ocupam área do Banhado. A Justiça negou o pedido porque não houve consenso nas propostas feitas pela Prefeitura junto aos moradores do bairro, que negaram as ofertas da gestão.
Além disso, as justificativas elencadas pela gestão não foram suficientes para mobilizar uma retirada imediata das famílias.
A Associação dos Moradores do Banhado defende a regularização do bairro.