O casal Fabiano Domiciano, 37 anos, e Carla Fabricia, 36 anos, se viu num dilema nesta pandemia. Ele administrador de empresas e ela publicitária, ambos são sócios da Zabumba Buffet Kids, em Taubaté, negócio que foi a zero com as restrições e o isolamento social.
O serviço de buffet infantil foi criado em 2015 e vinha com a agenda lotada e disputada por clientes, que sumiram com a chegada da quarentena. "Mesmo com a volta das atividades, o processo de retorno de vendas ainda está devagar", conta Carla Fabricia.
O jeito foi fazer a cuca trabalhar. Primeiro, eles criaram uma festa online. Eles acreditavam que, mesmo sem poder sair de casa, pais não deixariam passar em branco o aniversário dos filhos.
A festa online envolve até 20 amigos ou familiares por meio de aplicativo. Os sócios planejam a decoração da casa do aniversariante e entregam a festa em caixas, incluindo bolo, docinhos e salgados, e até balões. Há recreação virtual com brincadeiras, charadas, caça ao tesouro e música.
"As festas em casa fizeram muito sucesso no início da pandemia e pretendemos manter esse serviço. Também criamos pacotes menores, com número menor de participantes, alinhando custo e benefício", explica Carla Fabricia.
A empreendedora é um exemplo de quem precisou se reinventar para manter o negócio na pandemia, que provocou a maior crise econômica do mundo desde 1929.
Em Taubaté, o empresário Emerson Wachtler viu seu negócio entrar em dificuldades com a parada do setor automotivo. Ele tem uma fábrica de injetoras plásticas em Taubaté e fornece peças às montadoras. O jeito foi mudar a produção e fazer uma parte do face shield, as máscaras que cobrem o rosto do usuário.
Trabalhando com venda de vinhos, espumantes e destilados para varejo, Stefan Massinger foi pego de surpresa com o fechamento de bares e restaurantes em Caraguatatuba.
A saída foi criar um programa de custo zero e focar 100% no consumidor final, com vendas por canais de mensagens instantâneas e nas redes sociais. O resultado? Segundo ele, aumento de faturamento e maior abrangência na carteira de clientes.
Em Jacareí, Marcelo Oliveira Pascoaloto precisou mudar seu negócio de camisetas para corrida de rua e práticas de esportes, que acabaram suspensos ou reduzidos. A reinvenção veio na forma de novos produtos, criação de um ponto de venda de varejo (loja de fábrica), criação de um e-commerce e restruturação geral da empresa.
CONSTRUÇÃO.
Mas alguns setores ampliaram os negócios por efeito da pandemia, como o da construção civil. Com mais gente confinada em casa, a moradia passou a ser repensada e venda de imóveis aumentou em São José dos Campos.
"Cresceu muito a procura. Mais de 42% dos associados tiveram aumento de venda significativa no último ano. Casas de médio e alto padrão a procura por imóveis mais do que dobrou", diz José Renato Fedato, presidente da Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba).
Segundo ele, as pessoas que só viam a casa como "dormitório" perceberam que é um "centro de convivência da família". "Apartamento de médio e alto padrão (acima de R$ 500 mil) já não se encontra mais imóvel disponível, todos ocupados. Momento bom para o mercado".
Fedato diz que agora a preocupação é com o aumento do preço dos imóveis e a retomada da economia.n