Na segunda semana de março, no dia em que o presidente Donald Trump decretou a proibição de voos da Europa para os EUA, a marchand Mirian Badaró - que é de Taubaté mas reside na Espanha - encontrava-se em Nova Iorque à trabalho e ao mesmo tempo era decretada na Espanha o início da quarentena. "Confesso que passei algumas horas de desespero, sem conseguir alterar meu voo ou sequer comprar outro, e, no meio de tanta incerteza, sem saber exatamente se poderia voltar para casa" - comenta Mirian - "Arrumei as malas, fui para o aeroporto e de lá só saí depois de 7 horas, para voar em um 767 com nada mais que 21 passageiros" - conclui a especialista em arte moderna, que viveu aquelas horas de ansiedade, o clima esquisito e a certeza de que algo grave estava acontecendo e "ninguém sabe de verdade o que é"! Uma vez em casa, retomou a tranquilidade cercada pela família e conquistando "na marra" algo que buscava há anos - ficar muito mais tempo junto deles! "Temos uma única filha em idade para entender e colaborar - conclui. Em relação ao trabalho, Mirian teve feiras importantes na China e Itália canceladas e nesse momento se dedica à galeria online, poupando pessoas, recursos e energia. Na cidade espanhola de San Sebastian, onde residem, comenta que as pessoas têm levado à quarentena muitíssimo à sério - pois acompanham de perto tudo o que acontece. Mas a marchand também comenta que o pânico e as consequências econômicas já são extremante prejudiciais. E enquanto torce para que o isolamento não se prolongue e provoque outras consequências físicas e psicológica na população desenvolve em casa período de pesquisas no mercado da arte, participa online de ações sociais e conclui - "Há sacrifícios tão maiores por aí, que não me permito reclamar"..