Brasil

Brasileiros vivem sonho e pesadelo americano na era de Donald Trump

Por Danilo Alvim |
| Tempo de leitura: 4 min
20/01/2016- Washington- DC, USA- Soldiers and Airmen from the Florida National Guard look on as President Donald Trump takes the oath of office during the 2017 Presidential Inauguration. Florida sent approximately 340 Soldiers to provide support to the U.
20/01/2016- Washington- DC, USA- Soldiers and Airmen from the Florida National Guard look on as President Donald Trump takes the oath of office during the 2017 Presidential Inauguration. Florida sent approximately 340 Soldiers to provide support to the U.

Atrás do sonho americano, milhares de imigrantes brasileiros deixam sua terra natal e embarcam para os Estados Unidos todos os anos.

Seja de avião, navio, ou com ajuda dos coiotes pela fronteira mexicana, eles têm um objetivo em comum: melhorar de vida. Tendo um muro pela frente, os imigrantes se deparam também com um abismo social e econômico entre os países.

Taxativo em seu discurso, o atual presidente Donald Trump prometeu que não vai fazer vistas grossas com os imigrantes ilegais no país. Com rigor em sua política de controle da imigração, o novo presidente já é considerado um pesadelo para muitos brasileiros no país, preocupados com o futuro.

Um novo relatório da Florida International University's Research Institute on Social and Economic Policy, no entanto, apontou que os imigrantes ilegais geram $437 milhões para a economia do sul da Flórida, estado com maior número de brasileiros.

Histórias tristes e trágicas também fazem parte desse processo, embora não estejam nas estatísticas oficiais.

DRAMA.

Entre elas a de uma brasileira (cujo nome não pode ser divulgado) que perdeu seu filho de um ano com desnutrição durante o trajeto de fuga pelo deserto para chegar na fronteira entre os EUA e o México.

Sem apoio, ela foi obrigada a deixar o corpo do bebê no meio do deserto. Outra brasileira conta que foi estuprada pelo coiote na rota clandestina e teve o filho nos EUA. Hoje ela vive no país sem o visto, só podendo obter quando seu filho completar 21 anos.

Com o Brasil em crise, um brasileiro arranjou casamento com a sua prima, que tinha cidadania americana para poder obter o visto americano. Hoje com o visto, ele vive outra realidade. "Aqui [EUA] a qualidade de vida é boa para todos. Agora com a cidadania americana só volto ao Brasil a passeio".

Nos EUA, o imigrante muda de vida. O trabalho mais fácil a curto prazo é o de doméstica para as mulheres e pedreiro para os homens. O sonho americano tem seu preço.

No entanto, os imigrantes ilegais suportam a vida longe de casa, desde que possam pagar essa conta em dólar.

Brasileiros investem R$ 40 mil para filhos nascerem em solo americano

De olho no futuro, pais investem mais de R$ 40 mil para realizar o parto dos seus filhos nos Estados Unidos. O objetivo principal é a aquisição do visto americano para os filhos, que ao completarem 21 anos, podem entrar com o pedido de visto também para seus pais.

A agência 'Ser Mamãe em Miami' é especializada em realizar partos de brasileiras nos Estados Unidos. Com opções de pacotes integrados, as mamães podem realizar o parto em hospitais de miami com o preço do parto normal de US$10.912 e cesariana US$13.150. Os pacotes incluem atendimento pré-natal a partir da 32ª semana de gestação, parto e atendimento pós-natal, estudos laboratoriais de rotina do terceiro trimestres, entre outros benefícios.

Em menos de um ano, a agencia já realizou mais de 60 partos de mulheres brasileiras, e cerca de 70 estão com a viagem marcada para os Estados Unidos. A Constituição americana garante a cidadania automática a todas as crianças nascidas no país, inclusive se forem filhas de turistas ou imigrantes ilegais. De acordo com o Itamaraty, desde 2013 os consulados brasileiros têm identificado tendência de aumento no ingresso de nacionais brasileiros com intenção de fixar residência nos Estados Unidos.

Ano de 2016 registra recorde de mortes de imigrantes e refugiados no mundo

Muitos sonhos foram interrompidos em 2016, o ano registrou 7.189 mortes de refugiados e imigrantes ilegais e bateu um recorde histórico no mundo. O índice registrou alta de 25% em relação a 2015, quando o número de mortes chegou a 5.740 e de 36% em 2014 que teve registro de 5.267 mortes computadas. Os números foram divulgados pela OIM (Organização Internacional de Migrações).

Os imigrantes embarcam em rotas clandestina coordenadas pelos chamados coiotes. Entre os destinos mais procurados aparece a fronteira do México com os Estados Unidos onde 176 corpos foram encontrados durante o ano. Em Darien, floresta entre Colômbia e e Panamá e rota usada para ir da América Central e aos EUA tirou pelo menos 30 vidas, a maioria de cubanos. "As pessoas que usam o serviço de coiote estão mexendo com gente perigosa. Como é que você confia milhares de dólares, mais sua própria vida e a vida de um familiar. É muita vontade de vir morar aqui. A gente acompanhou muitos casos desse tipo", disse o presidente da ONG Centro de Assistência ao Imigrante Nova Esperança em Orlando pastor Wesley Porto.

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