Para espanto de ninguém, o presidente Michel Temer (MDB) -- que deixará o cargo em pouco mais de um mês, com a maior taxa de rejeição da história --, sancionou essa semana o reajuste para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Com um aumento na casa de 16,38%, o salário dos 11 ministros passará dos atuais R$ 33 mil para R$ 39 mil.
Ao sancionar o projeto, o atual presidente contraria um pedido do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), que havia se manifestado publicamente contra o reajuste. Afinal, a 'bomba' vai estourar no colo do próximo comandante do Palácio do Planalto.
E qual o motivo de tanta preocupação? É que o reajuste de ministros do STF gera um 'efeito cascata' nas carreiras do funcionalismo, pois dispara um aumento automático para os juízes Brasil afora e também para integrantes do Ministério Público. Isso porque o salário de ministro do Supremo funciona como teto para o serviço público.
Segundo estimativas iniciais, o impacto disso tudo nas contas públicas será de R$ 4 bilhões no ano que vem, sendo R$ 1,375 bilhão para a União e o restante para estados e municípios.
E não para por aí. Deputados e senadores já cogitam pegar carona no reajuste do STF e aumentarem os salários para a próxima legislatura. Se isso acontecer, haverá outro efeito cascata, dessa vez nos legislativos estaduais e municipais.
Quem lê tudo isso poderia até imaginar que a situação econômica do país está ótima, com dinheiro de sobra para manter as mordomias do alto clero do poder público. O problema é que estamos justamente em situação oposta. Toda essa farra com o dinheiro do contribuinte acontece em um momento em que o país ainda tenta superar a mais grave crise financeira de sua história.
Daqui a 34 dias, Temer deixará a presidência, passando a faixa para Bolsonaro. Até lá, ainda não terá vindo à tona nenhum motivo nobre para que o emedebista tenha sancionado o reajuste do STF.
A partir de janeiro, fora do cargo, Temer passará a responder pelos crimes atribuídos a ele, como nos casos de repasses ilícitos da Odebrecht ao MDB e do esquema de propina no Porto de Santos. Os processos serão julgados por juízes bem contentes com o reajuste em seus salários..