Crime, paixão e corrupção estão na cerne de "As Viúvas", longa que está em cartaz nos cinemas da região. Dirigido por Steve McQueen (vencedor do Oscar por "12 Anos de Escravidão", 2013), e roteirizado por Gillian Flynn (autora do livro "Garota Exemplar", 2012), trata-se de um thriller moderno.
Na trama, a história de quatro mulheres sem nada em comum, exceto uma dívida deixada pelas atividades criminosas de seus maridos mortos. Eles formavam um grupo de criminosos e acabaram falecendo após uma tentativa de assalto a um carro forte dar errado.
Sozinhas e precisando se virar, elas se unem. A opção encontrada é seguir o mesmo caminho dos companheiros: o mundo do crime. E, mais: inconformadas, as viúvas decidem concluir o trabalho dos maridos, e farão de tudo para ter sucesso na perigosa missão.
As protagonistas são Veronica (Viola Davis), Alice (Elizabeth Debicki), Linda (Michelle Rodriguez) e Belle (Cynthia Erivo) - um elenco estrelar, diga-se de passagem. Como na maioria dos trabalhos de Gillian, as personagens femininas aparecem aqui determinadas, inteligentes e bastante ambiciosas.
"As pessoas tentam ser gentis demais com as mulheres. Elas são embelezadas, são agradáveis. Elas se adequam às fantasias masculinas, ao olhar masculino. Mas este filme não faz isso", afirmou Viola Davis em entrevista a revista "Variety"
No entanto, vale ressaltar, o filme é inspirado no livro homônimo de Lynda La Plante - considerada na Inglaterra a "rainha dos dramas criminais" -, publicado originalmente nos anos 1980. A obra, aliás, acaba de ganhar a sua primeira edição nas bandas de cá pela editora Intrínseca.
'Power'.
O longa surge em meio a movimentos feministas como "Me Too" e "Time's Up", que lutam pela inclusão.
"Como artista, meu sonho é fazer algo que possa ser útil. Uma obra de arte ou filme que possa ser usado como ferramenta de progresso. Se for o caso de 'As Viúvas' ficarei muito feliz", afirmou McQueen ao portal "UOL".
Para Viola, o assalto apresentado no longa é apenas uma metáfora. "É um jeito de as mulheres dizerem: 'Minha vida não está funcionando. Então vou fazer funcionar. Vou assumir o controle'", disse a atriz ao programa de TV "Good Morning America".
"E é isso que as mulheres têm de fazer. Há inúmeras mães solteiras por aí, que pagam contas, seguro, plano de saúde... E elas têm de fazer isso. Esse filme é para elas", continuou.
Na primeira cena do filme, aliás, Viola aparece com o marido - vivido por Liam Neeson - na cama. Uma imagem que, segundo ela, pode parecer insignificante, mas é incrivelmente importante.
"Lá estou eu, negra, aos 53 anos de idade, com meu cabelo natural. E estou com Liam, um cara que parte da América consideraria um 'pedaço de mau caminho'", brincou.
"Ele não é meu dono, eu não sou sua prostituta. Ele não está tentando fazer declarações sociais ou políticas. Somos simplesmente um casal apaixonado. E o que me impressionou nessa narrativa é que eu nunca a tinha visto antes. E você não vai ver igual neste ano, nem no ano que vem, nem no ano seguinte", ressaltou ela em entrevista publicada originalmente na BBC e que mais tarde, editada pela Diversity School, viralizou no Twitter.
"A maioria dos críticos e cinéfilos nem reconhecerá como algo novo. Mas se estamos de fato comprometidos com a inclusão e a diversidade, então por que não considerar um personagem que talvez não seja etnicamente específico? Às vezes sinto que as maiores declarações políticas são as mais simples", cravou.
Imperdível, não?.