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Familiares de Cassiano querem MP no caso do Memorial

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 3 min
Maquete eletrônica. Memorial Cassiano Ricardo
Maquete eletrônica. Memorial Cassiano Ricardo

Familiares de Cassiano Ricardo (1895-1974) pretendem acionar o Ministério Público no caso do projeto do Memorial criado, em 2000, em homenagem ao poeta. Conforme noticiou OVALE em primeira mão no último sábado (25), "estudos preliminares e documentos oficiais" realizados pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) para São José foram disponibilizados a Caçapava pelo prefeito Felício Ramuth (PSDB) em agosto deste ano para que a cidade pudesse construir também o memorial.

"Triste. Abalada. Estou muito nervosa com tudo isso", definiu Regina Célia Ricardo, neta de Cassiano Ricardo e parte da comissão do Memorial na época em que ele foi articulado junto ao escritório do arquiteto carioca. "Fiquei surpresa justamente porque há anos procuro esse projeto para realizá-lo. Minha ideia era batalhar por patrocínio e colocá-lo em pé. No entanto, ninguém encontrava esse projeto. Não estava no Arquivo Público Municipal, nem na Prefeitura", continuou.

Segundo Regina, ela pretende dar entrada o quanto antes no MP. "Não faz sentido fazer esse memorial em Caçapava nem em qualquer outra cidade. Quero essa história explicada", continuou.

Caçapava pediu a doação do projeto "visando ampliar a parceria entre as duas cidades, irmãs territoriais e próximas no que tange as manifestações culturais e artísticas", em documento assinado pelo prefeito caçapavense Fernando Cid Diniz Borges (PV).

HISTÓRIA.

Engavetado desde 2000, o projeto de Niemeyer, ao contrário do que foi anteriormente informado pela Prefeitura de São José, teve um custo de R$46.200 em duas parcelas pagas no final daquele ano.

Na época, o Memorial fez parte dos planos de governo do ex-prefeito Emanuel Fernandes (PSDB), que sinalizou vontade de realizar um pedido de Cassiano: ser sepultado em S. José - as cinzas do poeta se encontram no mausoléu ABL (Academia Brasileira de Letras).

Cogitou-se construir o prédio onde hoje se encontra a praça Torii, na av. Cassiano Ricardo. Uma pedra fundamental foi colocada no local. Mas, devido ao alto custo do projeto (em torno de R$ 1,2 milhão), a prefeitura optou por engavetá-lo. Demais planos de construção também não obtiveram sucesso.

Segundo informação oficial, o projeto se encontra na Secretaria de Planejamento, não no Arquivo Público. E a pedra fundamental, retirada da praça, está sob os cuidados do Museu Municipal.

desenhos.

Em pesquisa na web, é possível verificar que, em 2014, croquis originais do Memorial foram a leilão pela TNT Arte, do Rio de Janeiro, com lance mínimo de R$ 4.500. De acordo com a leiloeira, as peças não foram compradas e, portanto, devolvidas aos seus donos: a família do ex-senador Luís Carlos Prestes. Conforme descrição no site, as peças foram uma doação do Niemeyer à família.

Fontes ouvidas pelo OVALE não souberam precisar se os croquis que foram a leilão pertenciam aos documentos entregues pelo escritório de Niemeyer a São José, ou se o contrato previa apenas o projeto executivo.

A reportagem não conseguiu localizar um membro da família Prestes. Procuradas, a prefeitura de Caçapava, a Fundação Niemeyer e a Niemeyer Arquitetos Associados não comentaram o caso até o fechamento da publicação.

A Prefeitura de São José reafirmou que "o projeto é da Prefeitura" e "o que aconteceu foi meramente a disponibilização de cópias dos documentos entre dois entes públicos e não a formalização da doação"..

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