Deveriam ser apenas dias de festa e alegria, mas o que se viu neste começo de Copa do Mundo foi uma vergonhosa demonstração de machismo. Vídeos publicados na internet mostram torcedores brasileiros e de outras nacionalidades colocando mulheres em situações de humilhação. Os casos ganharam repercussão internacional e mostram o quão presente está a cultura machista no Brasil e no mundo.
Muitas vezes considerada como "brincadeira", a prática do machismo é, antes de mais nada, uma agressão que visa diminuir a mulher. Os casos ocorridos na Rússia são graves e não têm nada de engraçados. É importante lembrar que as "piadas" ajudam a naturalizar uma realidade que mata. Estudos afirmam que a cada duas horas uma mulher morre em decorrência da violência machista.
Entre os assediadores brasileiros já identificados estão um ex-agente público condenado por improbidade administrativa, um engenheiro acusado de desvio de verbas da Prefeitura de Araripina (PE), um policial militar e um estudante. As ocupações de cada um denotam o enraizamento da violência (física e moral) contra a mulher em diversos setores da sociedade.
É necessário repudiar qualquer comportamento que submeta mulheres a situações de humilhação. O Brasil é um país que ainda tem muito a avançar na luta contra o machismo. Não temos a ilusão de que os torcedores que nos envergonharam na Rússia recebam a punição merecida, mas a sociedade tem de mostrar que não aceita esse tipo de conduta e que qualquer manifestação machista deve ser punida..