Ideias

FALTA DE QUÓRUM MORAL

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Vai ter quórum? Esta é a pergunta que mais se faz nos corredores de Brasília, capital que hoje está em polvorosa, com muito vaivém de aliados e de oposicionistas, com a possibilidade do plenário da Câmara dos Deputados votar a denúncia que a Procuradoria-Geral da República apresentou contra o presidente Michel Temer (PMDB), acusado de corrupção passiva, com base nas delações premiadas dos irmãos Joesley e Wesley Batista, os proprietários da JBS.

O relatório da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que foi aprovado com o auxílio de uma série de manobras de bastidores da base aliada, é contrário à denúncia feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, posicionando-se negativamente ao aval para que o STF (Supremo Tribunal Federal) processe o presidente -- o primeiro a ser alvo de denúncia no exercício do mandato presidencial.

Para que a votação seja realizada, é necessária a presença de pelo menos 342 deputados -- são dois terços dos 513 parlamentares, exatamente o número necessário de votos no plenário para que a Casa autorize o processo contra Temer.

Após realizar uma verdadeira força-tarefa, turbinada por um fôlego bilionário de emendas a parlamentares (uma forma velada de conquistar votos), uma verdadeira farra, Temer e seus aliados focaram ontem na busca pelos indecisos e por afagos à bancada ruralista. O Planalto tem interesse que a votação de hoje na Câmara ocorra, antes que este tão combalido governo sofra o iminente abalo de novas delações, novas denúncias, novas acusações.

Nesta segunda-feira, Temer chegou a incentivar até mesmo a presença de opositores, só para tentar eliminar rapidamente o problema. A base aliada diz estar confiante, tendo os votos suficientes para livrar o presidente da denúncia.

Caso a Câmara dê aval para o STF processar Temer, a Corte apreciaria o caso, podendo até afastar preventivamente o peemedebista por 180 dias.

Para Temer, que ostenta uma alta taxa de reprovação, o que importa não é a voz das ruas -- aliás, até certo ponto caladas -- e sim a dos bastidores políticos, dos estratagemas fisiológicos que mergulham o país em uma crise política sem fim. Trata-se do 'toma lá da cá'.

Para quem se iludiu, resta só a certeza de que para a missão de reconstruir Brasília, infelizmente, a política do país sofre com uma crônica falta de quórum moral..

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