Não somente para os que veem os dias se escoarem e, também para os mais distraídos, a maioria do que os noticiários comentam sobre as mudanças dramáticas no nosso Planeta, levam-nos à visões de mundo difícil de descrever. Realmente esmagados por ondas de inovação e conhecimento, misturadas à tumultos e perturbações da ordem, talvez possamos dizer que os contrastes atuais, entre o modelo atual e as desigualdades dos sistemas globais, levem-nos a perceber que um novo modelo de governança e gerenciamento público, precisa se manifestar e ser colocado no lugar. Assim, as (r)evoluções que estamos testemunhando no mundo, não podem ser encaradas apenas sob a percepção de que sejam tipos de desobediências civis, de tumultos ou agitações. Há também as revoluções que estão ocorrendo em nossas percepções e visões de nossa sociedade, misturando provocações das inovações e do desenvolvimento tecnológico, culminando com algo que tem a ver com a psique coletiva.
Isso, dizem os estudiosos, confirma que precisamos de mudanças. Os aderentes ao modelo antigo tentam manter a sua permanência no poder civil, criando componentes dos quais resultam em disputas e mesmo guerras, perda de liberdades civis e a contínua luta pelo controle e gestão. Ao mesmo tempo, há muitos prognósticos que tentam prever os resultados da atual turbulência geopolítica, com correções baseadas no que foi antes, mostrando uma falta de capacidade em discernir o incerto. A mentalidade em geral tem uma preocupação, ou até mesmo obsessão, de colocar visões lineares da história e do progresso. No entanto, o conceito de desenvolvimento linear das civilizações humanas já mostrou que é errôneo e ilusório.
Muitos antigos ensinamentos, tanto espirituais como os seculares, assim como os de muitas culturas indígenas, conhecem e nos ensinam que os processos de mudanças não se repetem ao longo de períodos históricos. No Brasil, é nossa a responsabilidade reconhecer que estamos vivendo através de uma passagem extraordinária de mudança novas, em face do que fizermos nos últimos vinte anos. Temos agora de projetar um futuro possível e criar o modelo que nos leve ao progresso. Estamos correndo em direção à borda do penhasco como um comboio animado e desenfreado. Em vez de esperar mantendo o status quo dividido, desintegrado e agora disfuncional, deveríamos pensar em criar um caminho alternativo! Temos obstáculos nos próximos anos, mas, ao mesmo tempo, devemos ter a certeza de que, muito definitivamente, existe também um futuro que nos espera. Tudo dependerá da qualidade das mudanças à frente e elas irão depender muito do que a sociedade tenha como poder de mudar. E mais, de quanto podemos, coletivamente e na nossa infinidade de maneiras diferentes, ajudar a inaugurar e manifestar mudanças positivas. Muitos países conseguiram, será que nós não o conseguiremos?.