Viver

castelo em ruínas

Por Paula Maria Prado@paulamariprado |
| Tempo de leitura: 3 min

Clara deu muitas chances ao homem que escolheu como marido. Pediu para Gael parar de machucá-la, perdoou as dolorosas humilhações e agressões físicas. Aguentou tudo isso por amor? Quem sabe... Esperança?

Sim, esperança é uma palavra de difícil explicação, mas que nos faz aguentar diariamente muita coisa em nome da expectativa de que algo vai ser melhor amanhã e a felicidade está ali logo adiante. Afinal o amor... O tal amor "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

Gael, por sua vez, tinha um ciume que não lhe cabia no peito. "Tá querendo me dar ordem?", questionava quando a esposa sugeria que ele parasse de beber. "Toma! Para você saber quem manda!", gritava entre um tapa e outro.

O cenário inicial da novela das oito, "O outro lado do paraíso" (Globo), trouxe a protagonista, vivida por Bianca Bin, a universo mais comum do que se imagina.

Afinal, números da Secretaria de Segurança Pública apontam que 124.044 boletins de ocorrência de violência contra a mulher foram registrados no Estado e São Paulo apenas em 2017.

"Um número imenso de mulheres sofre em seus lares e também fora deles. (A novela) é uma forma de alertar e mostrar para elas que podem ir adiante e enfrentar a situação", afirmou Walcyr Carrasco, autor da trama, que trata ainda de homofobia, racismo e pedofilia.

Bianca Bin, atriz que dá voz a Clara, conta que as cenas de violência foram difíceis de serem feitas. "Elas mexeram e muito comigo. Violência é um tema distante da minha realidade. Mas não tem como não ter sororidade e empatia com esse tema. Dói em mim, dói na atriz, dói na mulher", disse.

bastidores.

As cenas em que Clara apanhou de Gael (personagem de Sérgio Gizé), soaram tão reais, que foram consideradas pelo público como uma das mais forte da história dos folhetins.

"A importância de se falar de violência doméstica dentro de uma novela é imensurável. E há um cuidado artístico na elaboração e execução de cenas como esta por toda equipe. Tudo é feito com cuidado artístico na elaboração e execução", disse o diretor Mauro Mendonça Filho.

Ainda segundo ele, para cada cena, são feitos ensaios e leituras antes do "gravando". "Se for necessário fazermos mais de uma vez, repetimos".

Para viver Clara, Bianca assistiu a vídeos verídicos de espancamentos na internet. "Foi como se eu tivesse levado um murro no estômago", revelou. "Foi tão forte que me incomodou fisicamente, fiquei com vontade de vomitar. Apesar disso, é esse incômodo que pode fazer com que muitas mulheres saiam do lugar comum e tenham, cada vez mais, a coragem de denunciar e de lutar".

Justiça

"Se (a novela) não fizer diferença, pelo menos vai ajudar muito. Empoderamento é uma palavra que está em alta, vem sendo muito usada e define bem isso. A mulher precisa ter consciência de seu verdadeiro valor", continuou Bianca. "Nós não vivemos a nossa potência máxima e estamos sempre sendo tolhidas por uma sociedade patriarcal machista. Na realidade, o ideal é que não houvesse luta nenhuma. Toda sociedade deveria ser justa e igualitária", finalizou..

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