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Movimentos contra assédio e abuso sexual ganham força na web

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 3 min
Stop Sexual Assaultr
Stop Sexual Assaultr

#MeToo. As duas palavras que significam "eu também", em português, têm escancarado desde outubro do ano passado um cenário até então escondido embaixo de um errôneo sentimento feminino de vergonha: a do assédio e do abuso sexual.

Aliás, mais: a hashtag - como é chamado o conjunto de palavras-chaves precedido do símbolo "jogo da velha" - atingiu mais de 8 milhões de posts apenas no Twitter, denunciando o tamanho do problema no mundo.

"Me Too" faz parte de uma campanha que teve início após as denuncias de estupro contra o produtor cinematográfico Harvey Weinstein, um dos nomes mais poderosos de Hollywood. Ele foi acusado de estupro e agressão sexual por dezenas de mulheres - incluindo Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow.

Aliás, quando falamos sobre diretos das mulheres, o assunto tem sido cada vez mais recorrente nas redes sociais. Ainda segundo dados do Twitter, nos últimos seis meses, as conversas relacionadas ao assunto tiveram aumento de 50% em comparação com os seis meses anteriores - incluindo termos globais como feminismo, direitos das mulheres e equidade de gênero.

A campanha #TimesUp (o tempo acabou) já contabiliza mais de 1 milhão de tweets desde janeiro, quando ela foi criada. Entre os objetivos da iniciativa: estimular o aumento do número de mulheres em cargos de liderança, propor leis que penalizem empresas que tolerem assédios e desencorajem denuncias e criar um fundo para auxiliar mulheres que sofreram algum tipo de retaliação por denunciar agressores.

No Brasil, as hashtags mais populares foram #MexeuComUmaMexeuComTodas e #NãoÉNão. Mas, afinal, será que esse "hashtivism" traz resultados?

Luta on-line.

Segundo a digital marketing e social media Tatiana Aoki, dependendo do contexto que seja utilizada, uma hashtag pode se tornar muito relevante ou totalmente insignificante. "Por isso seu uso deve ser consciente", alertou.

"As hashtags se tornaram essenciais nas redes como forma de potencializar um assunto, também meio de pesquisa e organização. Um exemplo é a tragédia em Mariana (MG), que gerou comoção com a #sosriodoce, com mais de 215 mil menções só no Twitter e que ajudou a arrecadar alimento e materiais para os desabrigados", afirmou a especialista se referindo ao rompimento de barragem em 2015 e fez inúmeras vítimas.

"Acredito que o #metoo, por sua vez, foi uma maneira de as pessoas exporem suas experiências e mostrarem que não estão sós em um assunto como o assédio", continuou. Ainda segundo Tatiana, no caso de influenciadores que participam de campanhas, "o uso pode incentivar mais pessoas a pesquisarem sobre o tema".

Engajamento.

Estudos mostram que estamos cada vez mais engajados. Pesquisa da F/Nazca com apoio da Datafolha mostrou que estamos cada vez mais interessados no ativismo digital e que os debates podem ir além do conceito de alguém que quer protestar sem sair do sofá.

Cerca de 80% das pessoas já se envolveram com causas por meio das redes. Mas os dados mais interessantes: 60% acreditam que a web pode mudar sua opinião sobre algum problema social, enquanto 40% afirmaram que a mobilização on-line contribui para que participem presencialmente.

Sim, sem dúvida, há um novo comportamento em curso. "O importante desses movimentos é que a repercussão não fique somente no 'barulho' e vire algo mais concreto, como leis e mudanças de comportamento da sociedade"..

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