Em meio a chamada "ditadura da beleza", com padrões estéticos a serem seguidos e um amplo mercado voltado para quem busca o "corpo perfeito", novas vozes têm surgido para quebrar paradigmas. Nesse novo grito, mulheres que lutam contra arquétipos e mostram que se aceitar e ser segura de si mesma são o que tornam uma pessoa atraente.
De início, a atriz americana Lena Dunham tornou-se uma das porta-vozes do movimento. Fora dos "padrões holywoodianos", a diretora do seriado "Girls" (HBO) aparece nua em episódios da série, sem medo de mostrar suas curvas extras.
No Brasil, o tema tem ganhado força. O filme "Gostosas, lindas e sexies", de Ernani Nunes, que estreou este mês nos cinemas, evidencia o movimento. No longa, quatro amigas bem resolvidas com seu manequim plus size mostram o empoderamento feminino por meio da redefinição dos critérios estéticos.
"Por muito tempo, a personagem gorda foi caricata ou lutava para emagrecer. Nunca houve um papel de independência e representatividade", afirmou a blogueira e estilista Débora Fernandes, responsável pelo evento Vale Plus Size. "Ainda existe preconceito na área da saúde, no ambiente de trabalho, dentro de casa. E essa mulher precisa ser forte e resistir aos olhares e comentários, e acreditar que, sim, tem um movimento de diversidade que a acolhe".
Para ela, filmes e séries como os citados ajudam a fortalecer autoestimas. "Mostrar a beleza em diferentes biotipos e usar a representatividade como tema faz as pessoas reflitam sobre uma mudança de comportamento", continuou.
A psicóloga Luciana de Fátima Ribeiro concorda. "Entendo que a ditadura da beleza vem sendo imposta desde sempre. O que muda de acordo com as épocas é o tipo de corpo colocado como referência", disse. "E, dessa forma, a mídia é um veículo importante para ajudar as pessoas a refletir. Ela mostra que, sim, há outras possibilidades de viver bem e feliz".