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PARCERIA MUSICAL ENTRE PAI E FILHO

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 2 min

O ambiente hospitalar exige silêncio, e nem todo o mundo que se encontra no quarto de internação é obrigado a gostar de música, é claro. Mas fato é: quando o samba começa, ainda que baixinho, a alegria toma o corpo de Arlindo Cruz.

O sambista, que teve um AVC março deste ano, mexe a mão, a boca, pisca, levanta o pé... "Ele está na semi intensiva e não sabemos quanto tempo vai demorar para ele ficar bom", afirmou Arlindo Neto, filho do músico.

Arlindinho, como é chamado, aliás, também cantor e compositor, costuma dizer que teve a melhor escola musical possível. "Frequento sambas desde criança, dancei com minha mãe (Babi Cruz, ex-porta-bandeira), depois meu pai me chamou para compor com ele, e fui pegando gosto", contou a OVALE. "Hoje sigo carreira solo, continuo estudando e faço fono para melhorar cada vez mais. Meu pai me dá muitas dicas onde posso melhorar e procuro absorver o máximo de informação".

UNIÃO.

A parceria entre pai e filho nos bastidores virou um disco: "2 Arlindos", recém-lançado pela Universal Music. "Esse trabalho é resultado de um momento mágico. Estamos felizes com o trabalho. Esse disco é uma festa, é para ser ouvido com os amigos e familiares, em um momento de alegria", disse Arlindinho.

"A ideia nasceu das nossas confraternizações aqui em casa. A gente toca e canta em festa de São Jorge, festa de São João, é assim...", explicou, em nota, Arlindo Cruz, na ocasião do término da produção do disco. "Compor com ele é uma realização. Eu fico bem mais tranquilo em saber que ele não está na rua, e, sim, ao meu lado", continuou o pai coruja.

GERAÇÃO.

No repertório do disco, canções escritas pela dupla: "Bom Aprendiz", "Pra Que Insistir" e "Papo à Vera"; e outras como, "Pagode 2 Arlindo's", "As Horas do seu tempo/É D'Oxum" "Volta", "Deus Abençoe" e "Pais e Filhos".

Muda-se o samba com a troca de gerações? "Se eu tive como escola a geração de meu pai, ele foi aprendiz de Cadeia, entre outros músicos da década de 1960 e 1970. E, uma vez que o samba é o retrato da sociedade, há uma mudança natural, né", comentou Arlindinho.

"Antes, falávamos em telefone, hoje usamos a palavra celular, por exemplo. Mas se antes era bom ou ruim, puro ou menos puro é bobagem. O samba é o que é", finaliza..

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