Uma cidade pujante com aeroporto deficitário. São José dos Campos atraiu, desde 2006, importantes empresas de aviação: Gol, OceanAir, Azul e TAM. Nenhuma, porém, conseguiu prosperar na cidade.
A última a tentar foi a TAM Linhas Aéreas, que há um ano deixou de operar no município o seu único voo comercial, que fazia a rota São José-Brasília. Não resistiu à baixa demanda de passageiros.
Nem a reforma do terminal, concluída em setembro de 2014, foi suficiente para mudar este cenário. As obras triplicaram a capacidade do local, que agora pode receber até 600 mil passageiros ao ano.
Na ocasião, a Infraero investiu R$ 16,7 milhões na modernização do local, que ficou sete vezes maior, passando de 800 metros quadrados para 5.800 metros quadrados. Outras melhorias foram o aumento do número de guichês de check-in, a ampliação das áreas comerciais e a capacidade de receber até três voos simultâneos, contra apenas um na antiga estrutura.
Pois bem. Sem movimento, o governo federal decidiu: vai municipalizar o aeroporto de São José. Ilhéus, na Bahia, seguirá modelo semelhante.
A ideia é que a prefeitura faça a concessão, após receber a transferência de outorga. A municipalização, aparentemente, pode ser vantajosa para a cidade. Mas isso se conseguir alguma concessionária interessada no terminal, que, até o momento, não decolou.
O discurso que o aeroporto pode desafogar terminais maiores, como São Paulo, Guarulhos e Campinas, sempre foi usado para valorizar a boa estrutura existente em São José. Até agora, entretanto, nenhuma empresa que operou no município conseguiu prosperar por aqui.
Espera-se que assumir o comando do aeroporto seja realmente uma conquista para o município e não um fardo a ser carregado pela população, que está carente de serviços importantes.
Faz-se necessário um plano sério e bem detalhado para o local. Caso contrário, assistiremos ao mesmo desfecho dos últimos anos, quando empresas chegaram animadas e saíram desiludidas..