Tema atuais abordados de forma inovadora. Constante renovação de pessoas, portanto, de ideias e propósitos. Formações de público, profissionalização de integrantes da cena. Cada vez mais novas produções. Qualidade.
Esse é o foco da FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo), de São José, para as próximas edições do Festivale, evento teatral - um dos maiores do país - cuja 33ª edição acabou neste domingo (9). Neste ano, o festival contou com uma roda de conversa sobre as perspectivas para o cenário nos próprios anos, com a presença de organizadores, críticas, curadores e público interessado.
"Foi um ano interessante. Tivemos uma proposta curatorial atualizada em relação as produções atuais brasileiras e internacionais, não só no teatro mas na cena cultural como um todo. E, para isso, contamos com três especialistas, Rodrigo Moraes Leite (professor e crítico teatral), Atul Trivedi (ator e diretor) e Fabiana Monsalú (pesquisadora e atriz) - aliás, a primeira mulher a fazer a curadoria do festival desde a sua existência", afirmou Agenor Carvalho, diretor cultural da FCCR, organizadora do evento.
O trio, conhecedor do fazer teatral joseense e com vivência acadêmica, deu norte ao festival sob o tema "Inquietações Cênicas". Na edição, foco na busca pela consonância entre a forma e o conteúdo.
Saldo total: 34 espetáculos de 11 grupos convidados e 18 selecionados por edital (quatro de São José, 10 do Estado de São Paulo e quatro de outros Estados), também palestras e exibição de filmes.
"Tivemos ainda uma parte formativa muito importante, com cursos e oficinas. Defendemos que sem formação não há cultura. E vimos vários locais de apresentação cheios, o que é importante. Pretendemos continuar seguindo nessa direção", ressaltou Carvalho.
O investimento foi, segundo a fundação, de R$ 200 mil.
Futuro da cena.
Para Fabiana, um dos méritos do Festivale deste ano foi abrir a cabeça de todos os presentes, no sentido de sair do comum - o teatro como uma caixa preta, onde são apresentadas as peças.
"Falo que precisamos parar de achar que as pessoas são burras, de achar que elas não vão entender determinado tipo de apresentação. Arte é mais do que entendimento, é sinestesia", cravou a pesquisadora.
"São José agora deve respirar mais em relação à estética, filosofia, política, ao conteúdo... Entendendo cada vez mais o teatro como uma arte relacional, um espaço de encontros, de construções humanas", explicou ela, se referindo ao conceito defendido pelo crítico de arte francês Nicolas Bourriaud. "Então, creio que teremos a partir de agora uma cena preparada para enxergar novas maneiras de viver a arte e pessoas dispostas a viver esse novo momento".
Elas.
A 33ª edição representou ainda um marco na história da cidade: foi a primeira vez que houve grande representatividade feminina nos bastidores da produção.
Além de Fabiana, na curadoria, a FCCR convidou três críticas cujo papel foi fornecer distintos pontos de vista sobre peças que participaram do evento. São elas: Julia Guimarães, pesquisadora, jornalista, professora e crítica teatral; Priscila Gontijo, escritora, dramaturga, roteirista e pesquisadora; e Simone Carleto, artista pedagoga.
"Não posso deixar de citar Wangy Alves, coordenador do evento, que defendeu o espaço da mulher como um lugar de pensamento.
Então, por que não chamar mulheres para fazer as críticas?", continuou Fabiana, que comentou o pioneirismo da equipe. "Eu me sinto muito honrada em fazer parte desse momento. Espero que daqui em diante o festival cresça ainda mais e siga evoluindo, porque as conquistas desse ano foram muitas".
Extra.
Em tempo, as críticas escritas pelas especialistas sobre os espetáculos estão disponíveis na aba "Viver&", no site de OVALE..