Nazareth Ferrari tomou um susto quando sua filha Juliana, aos 11 anos, anunciou que tinha escrito um livro. Professora e apaixonada por poemas, Nazareth sempre incentivou a filha a ler. Mas entre o prazer pela leitura e cerca de 60 páginas prontas, início de uma história que pretende ser uma trilogia, há um salto inesperado.
"Fiquei surpresa. Eu a via no computador, mas pensava: coisa de adolescente, deve estar escrevendo um diário", ri ela, que ficou ainda mais supresa ao ler a obra da menina. "Gostei muito!".
"A Floresta Mágica", lançado de forma independente no ano passado, teve tiragem de 350 livros. Na trama, um grupo de adolescentes em meio a um acampamento escolar são transportados para um mundo repleto de seres mitológicos, zumbis e fadas.
"Sou muito eclética. Gosto de aventura, drama e romance", disse Juliana. "Quando recebi o retorno das pessoas contando que tinham adorado o livro, cheguei animada em casa já colocando no papel outras histórias".
A menina, hoje com 15 anos, costuma escrever nas férias escolares, que é quando tem mais tempo. "Tenho mais ideias pela manhã, quando acordo", contou. "Minha inspiração vem de sonhos".
BASTIDORES.
O livro com a segunda parte da trama - "A Floresta Mágica: O Retorno" - será lançado no próximo dia 27, às 19h, na livraria Leitura, no shopping Taubaté. Nele, a protagonista é chamada para solucionar mistérios que, se não desvendados, colocarão a perder o universo fantástico que conheceu na primeira obra.
"E o terceiro livro já está pronto, deve ser lançado no ano que vem", revelou a escritora, que tem na gaveta outros dois livros: um narra o drama de uma adolescente moradora de rua que é adotada por uma senhora e o outro trata de dupla personalidade.
"Procuro colocar no meu texto técnicas que observo em outros romances. É preciso um ápice, um problema ser resolvido para que as pessoas fiquem curiosas e leiam até o final", afirmou Juliana.
"O seu primeiro livro tinha 60 páginas, o quinto tem quase 200. Com o tempo e a prática de escrita, a trama vai ficando mais complexa", disse Nazareth, que tenta não interferir no trabalho da filha. "Isso é muito delicado. É importante que a criatividade dela flua sem passar por mim. Eu leio no final para fazer alguma correção gramatical ou encontrar alguma ponta aberta na trama. Depois, ela mesma faz a revisão".
No futuro, a menina se vê como advogada. "Quero manter a escrita como um hobby", disse. A mãe vê a decisão com bons olhos. "Não quero forçar nada. Se amanhã ela me disser que não quer mais escrever, tudo bem. Eu quero que ela seja feliz"..