Primeiro escolhe-se a massa. Trabalhar com barro bruto é sempre uma surpresa, afinal, ele contém corpos indesejáveis, como pedras e raízes. Por isso, muitos ceramistas preferem comprá-lo no comércio já limpo e embalado. A gama de cores é imensa... Vermelho, negro, branco, marrom, creme. Batido o martelo, é hora, então, de moldá-lo.
Vasos, potes, esculturas... As possibilidades são inúmeras. Finalizada a etapa, é preciso enviar a peça para a queima. Todas precisam ir ao forno, por onde ficará de 13h a 40h. E é lá dentro que a mágica acontece.
A queima altera as cores da peça uma vez que retira o oxigênio do material. Em caso de forno a lenha, as cinzas da madeira, se fundem o barro. E, acredite, uma peça que antes era negra, pode tonar-se inteiramente branca.
Essa é a expectativa que os artesãos de Cunha guardam para este sábado (3). Será aberto, às 10h, na sede do Instituto Cultural da Cerâmica de Cunha, um forno com cerca de 300 peças. A queima já foi feita, no início da semana. Mas é preciso deixá-las paradinhas dentro da câmara por ao menos três dias, para que esfriem num lento processo e não trinquem num choque térmico.
Capital da cerâmica.
Considerada como o maior polo de cerâmica de alta temperatura da América Latina, a Estância Climática de Cunha realiza o 12º Festival de Cerâmica.
Também na programação, uma exposição coletiva, com ceramistas locais, o grupo Tripolar e a convidada Máyy Koffler, na Casa do Artesão (r.José Arantes Filho, 27); e uma mesa redonda com artistas da Galeria Quinta Essência, às 19h, no ICCC (Parque Lavapés, s/n).
"Cunha guarda em sua história grupos que produziam primitivas panelas de barros. Com o passar dos anos, muitos passaram a ir para a capital para vender seus trabalhos. Até que um grupo de artistas se uniu para criar o instituto, com o objetivo de resgatar o trabalho primitivo e promover a educação e formação de jovens ceramistas", afirmou Cristiano Quirino, que nasceu em Vinhedo (SP), se formou ceramista na Sir John Cass College of Art, em Londres, e fixou residência na cidade.
Para ele, um dos trunfos de Cunha é a pluralidade na produção artística. "Profissionais que já haviam se estabelecido aqui, permitiram que outros ceramistas se instalassem na cidade, o que contribuiu para o fortalecimento do polo", disse.
"Hoje temos, várias modalidades, como obras de arte clássica, contemporânea, objetos para decoração e arquitetura, assim como utensílios de mesa para serviço formal ou descontraído", continuou.
ARTES.
Atualmente, são cerca de 40 ceramistas na cidade, que tem ganhado fama também por suas outras artes. Entre os destaques: cestaria (quase extinta), madeira, patchwork e gastronomia.
Mais informações sobre o evento: www.cunha.sp.gov.br..