Nos tempos antigos um oráculo havia alertado: a cidade grega de Olimpo iria desaparecer. Mas, ao contrário do que todos pudessem imaginar, a destruição local não seria resultado de brigas entre deuses, mas seria fruto da ação de um mortal.
Os olimpianos Zeus e Ares acreditavam que o responsável por tudo aquilo seria então Deimos, criança que possuía estranhas marcas de nascença. Sequestrado, o garoto foi por anos torturado pelo deus da morte, Tânato.
Kratos, irmão de Deimos, então pensou: um dia vingaria o mal que os deuses causaram a sua família.
Esse é o início de um dos jogos mais aclamados do universo gamer: "God of war", lançado originalmente em 2005, e que atualmente está em seu oitavo título, que chegou ao mercado no início do ano.
Se os primeiros jogos foram dirigidos por David Jaffe - passando por Philip Cohen, Ru Weerasuriya, Stig Asmussen, Dana Jan e Todd Papy -, a aposta da vez para garantir a manutenção do sucesso do jogo é em Cory Barlog, que, aliás, esteve no Brasil nesta semana como convidado especial da BGS (Brasil Game Show), maior evento de jogos eletrônicos da América Latina, que ocorreu em São Paulo até o último domingo (14).
Revolução.
O diretor criativo da SIE Santa Monica Studio, da Sony Interactive Entertainment, com passagens por "God of War" (2005) e "God of War III", causou uma verdadeira reviravolta na trama já conhecida pelos gamers. Se nos primeiros episódios de "God of War" Kratos era puro ódio, agora ele é um chefe de família e lida com as coisas de outra forma, inclusive, menos violenta.
O novo jogo é como um recomeço da franquia, e, longe da mitologia grega - cenário de outrora -, dessa vez, a trama se passa no universo da mitologia nórdica: muitos anos após vingar-se dos deuses do Olimpo, o protagonista agora vive com seu filho em Midgard.
A ação começa após a morte de sua segunda esposa, cujo desejo era ter suas cinzas espalhadas no pico mais alto dos nove reinos nórdicos. Eis a missão base da dupla... E dos jogadores, claro. É a partir daí que todas as demais aventuras se iniciam.
"Me tornei pai nos últimos anos e é mais fácil criar coisas que estão mais próximas da nossa realidade. A paternidade é algo universal", afirmou Barlog em bate-papo com o público. "Um dos nossos desafios foi criar um tutorial interessante, que contasse uma história. E acho que, nesse quesito, conseguimos atrair as pessoas. Também lutamos para que o jogo tivesse comandos precisos e com sentidos", continuou.
Segundo o diretor, se no anúncio do lançamento as pessoas se mostraram receosas com as mudanças propostas, hoje fãs do jogo elogiam o caminho definido. "Kratos é um personagem importante. Mas mudamos porque é necessário. A vida continua. E a história de Kratos é como uma experiência humana", defendeu. "Trabalhamos, eu e a equipe de roteiristas, muito duro por cinco anos. Então, ver que o jogo está sendo tão bem aceito, é uma emoção indescritível".
Para o futuro, Barlog garante: "ainda há muita história para contarmos sobre Kratos", mas também consegue enxergar "God of war" sem o protagonista. "Acredito que começamos a criar ainda mais personagens dentro do universo. Eles poderiam ter sua própria franquia no futuro", cravou. Quem sabe....