"O cara é louco mesmo?". Essa é a pergunta que o jornalista Alexandre Petillo, de São José, mais ouviu durante a produção da biografia "A Ira de Nasi" (2012), que escreveu junto de Mauro Beting, sobre o paulistano Marcos Valadão Ridolfi, vocalista da banda de rock Ira!.
Na ocasião - por volta de 2011 - reinava na mídia informações sobre as brigas do músico com Edgard Scandurra, amigo e parceiro de longa data, e sua interdição. Mas afinal, Nasi é "loucão" mesmo?
"Pelo contrário. Ele estava buscando a espiritualidade, vivendo de uma forma mais tranquila, se reinventando com o programa no Canal Brasil e a carreira solo", afirmou Petillo. "E, ao mesmo tempo, Nasi era o último nome rebelde do rock brasileiro em atividade". Convenceu-se: essa dualidade cabia bem na tela.
Junto do jornalista Rogério Corrêa, Petillo começou a produção do documentário "Você não sabe quem eu sou", que passou por um hiato na ocasião das gravações de "Sem Dentes" (documentário que celebra o rock nacional dos anos 1990, lançado em 2015).
"Retomamos no final do ano passado, com a ajuda do também jornalista Rodrigo Grilo, novas entrevistas até o mês de maio. E conseguimos fechar o filme, depois de sete anos de trabalho", contou.
Vida.
A proximidade entre Nasi e Petillo é de longa data. Assim, o músico não só recebeu bem a ideia do documentário, como revelou desejo de mostrar um pouco mais de sua vida: queria provar que era muito mais do que um cantor doidão de uma banda de rock.
"Ele confiou em nós para contar essa história, abriu as portas para que a gente seguisse bem de perto, mostrasse os bastidores que poucos artistas mostraram em outros filmes", disse o jornalista, que teve carta branca para tratar de todos os assuntos, por mais espinhosos que fossem.
"Não tivemos receio de entrar em nada, nem sobre drogas, interdição, fim do Ira!, tudo foi abordado", continuou Petillo. "Tomamos cuidado apenas em mostrar todos os lados desses conflitos. E, nas partes sobre religião, sobre a cultura iorubá, foi uma preocupação não falar somente que ele "era da macumba", por exemplo.
Feedback.
Fãs de rock vão poder conferir os bastidores de conversas e ações entre uma banda de rock. Mas, principalmente, as brigas (guerra de egos) que levaram ao fim do Ira!.
"Essa é uma história que nunca foi contada a fundo. Também tem uma história nunca contada do relacionamento de Nasi com Marisa Monte - o caso, aliás, irritou a gravadora dela na época. Essa história não está nem na biografia!", revelou Petillo.
Se para o público o teor do longa pode soar "pesado", Nasi não só gostou como achou o resultado "leve".
"Não tivemos receio de mostrar o resultado a ele, não! Quando ficou pronto, assistimos e achamos que ficou bem legal", contou o jornalista. "Claro que, com a correria para cumprir o prazo do festival (In-Edit, onde estreou no mês de junho), algumas coisas tivemos que improvisar. Mas acredito que temos um belo filme de rock".
Episódio extra.
Parte importante do filme aconteceu durante um show na unidade do Sesc São José.
"Fizemos gravações em uma apresentação que aconteceu aqui na cidade. E, nessa noite, tivemos fãs falando do Ira!, e o próprio Nasi dando um imenso 'piti' no camarim quando descobriu que roubaram o seu celular!", ri Petillo.
Por ora exibições por aqui ainda estão em negociação. Confira trailer no flip desta edição..