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Reintegração retira 75 famílias de terreno ocupado em São José

Por Thaís Leite@_thaisleite |
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Abrigo. Famílias estão morando em ginásio desde quinta-feira (21).
Abrigo. Famílias estão morando em ginásio desde quinta-feira (21).

Lucas Oliveira de Carvalho Cenoski tem 25 anos e morava em um terreno no Jaguari havia oito meses. Seu novo endereço é o Ginásio Ubiratan Pereira Maciel, na zona sul de São José dos Campos, de onde foi levado por uma van da prefeitura, acompanhado pela sua esposa, Ingrid Aparecida Cenoski Carvalho, de 21 anos, e sua filha, Aghata Gabriele, de 4 anos.

A família foi retirada do local porque vivia em terreno pertencente à prefeitura. Assim como eles, mais 74 famílias tiveram que deixar as suas casas, todas de forma pacífica, no área ocupada na região norte. A habitação era simples: barracos de tábua e poucos cômodos formavam as moradias.

Np dia 10 de maio, a prefeitura ajuizou ação que solicitava a reintegração de posse da área. A Justiça expediu uma liminar e estabeleceu o prazo de até 22 de maio para as famílias desocuparem a área.

Como isso não ocorreu, às 6h desta quinta-feira, cerca de 80 policiais militares fizeram a retirada dos moradores.

De acordo com Luciano Anderson Tirelli, capitão da PM, a ação foi tranquila. "As casas são precárias, mas a gente tem que ter a sensibilidade de saber que isso para eles é tudo".

REPERCUSSÃO.

O defensor público Jairo Salvador de Souza afirmou que o abrigo provisório da prefeitura, que fica a cerca de 20 quilômetros da ocupação, é inadequado às crianças, que ficarão longe de suas escolas. "Independente de estarem certos ou errados, as crianças não podem ser penalizadas", afirmou. A Defensoria deve entrar com uma ação judicial para reverter o caso.

A prefeitura justificou que o ginásio é o melhor preparado para atender às famílias e que algumas das crianças já não estudavam perto do terreno. "Tem crianças que estudam em escola da Vila Industrial e Santa Inês, que ficam na região leste da cidade, longe da área que ocupavam", diz a prefeitura. No abrigo provisório, a prefeitura afirmou garantir acolhimento social e refeição para todas as famílias, além de transporte escolar. Os moradores, porém, criticaram o abrigo.

Moradores do terreno aguardam faz 15 anos na fila por uma casa própria no município

Assim como a família de Lucas e Ingrid, o ocupante José Carlos Moreira da Silva, desempregado, de 58 anos, lamentou a desocupação. "É duro você não ter para onde ir. Acho que ela [a prefeitura] fez errado, ela podia chegar em nós e falar: casa para vocês eu não tenho, está aí o pedacinho de terra, vocês se viram e construam a casa de vocês, vai ter que pagar água e luz, mas deixasse nós lá mesmo".

Atualmente, são 12 mil famílias que aguardam na fila de habitação de São José dos Campos. Entre elas, a família de José, que afirmou aguardar há 15 anos. Já Lucas e Ingrid, contaram que estão na espera há quatro anos. A prefeitura esclareceu que com a desocupação, a fila de habitação seguirá feita de forma regular, sem que nenhum dos moradores do terreno passe à frente dos que já aguardam.

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