Em uma estrutura corporativista, onde o balcão de negócios é praticado sem pudor, fica difícil imaginar que vereadores suspeitos de cometer irregularidades sejam realmente investigados por seus pares.
OVALE revelou, em abril deste ano, que o vereador Maninho Cem por Cento (PTB) empregava em seu gabinete, na Câmara de São José dos Campos, funcionário comissionado para trabalhar exclusivamente no jornal comunitário que mantém na cidade. Toda a rotina do assessor foi acompanhada.
Desde a revelação do caso, os 21 parlamentares evitavam comentar o assunto publicamente. Nesta quarta-feira, no entanto, a comissão de ética deu parecer favorável ao início da investigação contra Maninho. Apenas Marcão da Academia (PTB) votou contra. Agora, o plenário vai decidir se acompanha o relatório.
O avanço do caso no Legislativo é fruto da pressão exercida por este jornal. Sem uma imprensa vigilante, o ambiente será sempre corporativista. A cobrança da população, seja nas galerias da Câmara ou nas redes sociais, também contribuiu para que os vereadores saíssem de cima do muro.
Mas este, na verdade, foi apenas o primeiro passo. Espera-se que a condução dos trabalhos na comissão de ética siga o caminho da independência, objetividade e isenção que o momento exige. Sempre lembrando que o direito a ampla defesa do parlamentar, integrante da base aliada do governo, precisa ser respeitado.
Maninho, até agora, está calado. Silenciou em todas as vezes que foi procurado pela reportagem de OVALE. O assessor que trabalhava nos negócios do vereador, exonerado do gabinete dias após a revelação do caso, também não quis se pronunciar.
Espera-se que agora, ouvida formalmente pela comissão de ética, a dupla explique os fatos. É o mínimo que se espera do parlamentar, eleito com 3.491 votos em outubro do ano passado. A população, que paga o salário do vereador, debutante na Casa, merece uma satisfação. É o mínimo.
Embora este seja apenas um primeiro passo, é preciso elogiar o avanço do 'Caso Maninho'. Que isto sirva de exemplo aos demais vereadores, para fiquem sempre atentos ao rigor com a coisa pública.
A população está cansada dos casos de corporativismo dos ambientes políticos..