No começo do vídeo, que tem pouco menos de dois minutos, Jarbas Nogueira, gestor da área de Segurança e Vigilância da Prefeitura de Taubaté, discute com o morador do imóvel, Eduardo Felipe Silva, sobre a forma como ocorreria a retirada de objetos do local. "Você me respeita, senão eu quebro a sua cara", diz Jarbas, que ainda chama o morador de "lixo".
Momentos depois, Jarbas dá socos e chutes no morador, enquanto diz "você não me conhece, não sabe quem eu sou". A agressão continua com a vítima já caída. Nesse momento, o colega de Jarbas, Vinicius Libanori, tenta impedir que a esposa de Silva, Rúbia Fernanda Conceição, continue gravando a cena. "Para, que vai piorar para a senhora", afirma.
O fato, ocorrido no dia 6 de fevereiro, já foi tema de diversas reportagens desde então. Nós mostramos, por exemplo, que o governo Ortiz Junior (PSDB) promoveu entre 80 e 100 desocupações -- pelo menos -- em dois conjuntos habitacionais no Barreiro nos primeiros meses desse ano. Todas elas sem o devido processo legal. Os moradores são acusados, informalmente, de terem alugado seus imóveis ou de traficarem drogas. Nenhuma prova foi mostrada. E os imóveis desocupados ainda acabaram sendo repassados para agentes de segurança responsáveis pelo despejo. Tudo muito estranho, obscuro.
Tudo isso foi tema de reportagens. Como o fato veio a público, a pressão resultou em uma sindicância interna por parte da prefeitura, em investigações tanto no Ministério Público Estadual quanto no Federal, e também na Defensoria Pública.
O governo Ortiz foi o primeiro a passar o pano. Arquivou a sindicância, dizendo não ter detectado irregularidades.
Agora, o MP Estadual também arquivou seu inquérito, alegando não ter detectado 'ofensa à probidade administrativa no caso'.
Se você deseja viver em um país em que as leis são respeitadas por todos, inclusive por quem diz defendê-las, suas últimas esperanças estão no MP Federal e na Defensoria Pública. Caso contrário, um episódio claro de abuso de irregularidade, como é esse caso, será enterrado sem qualquer punição para os envolvidos. A lei é a mesma para todos ou é diferente para quem é pobre e mora em conjuntos habitacionais? Esperamos a resposta..