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Neologismo 4.0: termos mais atuais já fazem parte do dicionário

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 2 min
cabeça
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"Baixar", "blogue", "bug", "deletar", "selfie", "twittar" ou "tuítar"... Conhece esses termos? Pessoas mais velhas talvez dirão que não têm certeza sobre o significado delas. Mas esses são termos que estão na boca dos jovens e, acredite: já constam nos dicionários tradicionais da língua portuguesa.

Fato: a internet tornou menos burocrática a aceitação de alguns verbetes. Antes, um termo candidato a fazer parte dos livros de consulta gramatical passava por uma espécie de "quarentena" para garantir que tinham mesmo caído na boca do povo, com até cinco anos de observação. Mas, agora, a inclusão tende a ser mais rápida.

A editora Positivo, responsável pelo dicionário Aurélio, realiza um monitoramento das 3.000 palavras mais utilizadas com base em publicações, jornais e livros.

"Levantamos a frequência das palavras nos meios digitais, 'rankeando' as mais consultadas. A partir daí, usamos dois critérios para incluir uma palavra no dicionário: frequência e perenidade", afirmou Júlio Rocker Neto, gerente editorial da Positivo.

Segundo ele, para ser incluída no dicionário, a palavra precisa estar entre as mais faladas e escritas. "Mas é preciso observar o contexto e o momento político, econômico e social para evitar modismos que passam tão rápido quanto surgem", completou.

Entre os termos incluídos no Aurélio estão "doula", "glamourizar" e "tuítar". E, no Aurélio Júnior, houve a inserção do verbo "ficar"; e "baixar" ganhou novo significado "fazer download de arquivos".

NEOLOGISMOS.

Segundo o Instituto Antônio Houaiss, responsável pelo Houaiss, a maioria dos neologismos é das áreas de tecnologia e ciências. Entre os termos somados ao dicionário estão "bug" e "blogue".

"Não temos cômputo numérico de inclusões, mas a 2ª edição do Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa vem-se fazendo há 15 anos, pelo que pode imaginar a quantidade de palavras incluídas", informou o instituto.

"Todos os dias entram palavras novas nas línguas vivas e palavras antigas ganham novos sentidos. Uma recolha do que não está dicionarizado é feita em jornais, revistas, livros e na internet. Isso gera uma lista que depois é avaliada por nossos lexicógrafos".

Já o dicionário Michaelis, publicado pela editora Melhoramentos, além de "deletar", "selfie" e "twittar", pretende incluir em breve "biqueira", "ciberativismo", "crush", "food truck", "impichar", "roadie" e "waze", entre outras.

"Nos últimos anos foram colocados aproximadamente 300 verbetes. A palavra é dicionarizada quando ela é socializada", Alexandre Santana Nunes Franco, supervisor de produção gráfica e digital da editora. Segundo ele, enquanto alguns verbetes vão sendo incluídos, outros são excluídos. "Os verbetes saem de um dicionário por estar em desuso. Tiramos, por exemplo, 'bacoco', 'domitila', 'enrustidor' e 'manguço', continuou.

Ou seja, se você, leitor, não estiver "inteirado" sobre essas palavras, não adianta tentar "deletá-las" da sua vida. O "lance" é se acostumar. Acredite, logo estará "blogando" ou "tuitando" esses verbetes na legenda daquela "selfie"..

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