O muro está de pé, um muro alto e quase intransponível, localizado na fronteira que separa o respeito à diferença e aos valores humanitários e o discurso de ódio, ultranacionalismo e violência. Este muro, aparentemente invisível, é absolutamente palpável e cada dia mais perceptível, seja nas redes sociais, seja nas ruas de Charlottesville ou aqui, na nossa região. Ou dentro de nós.
Nesta edição, a matéria especial escrita pela repórter Virgínia Silveira -- às páginas 2 e 3 e na capa do caderno Brasil& -- revela com uma clareza cristalina, direto dos Estados Unidos, o avanço desenfreado da tensão e da intolerância racial nas ruas da maior potência do planeta -- uma nação, ironicamente, construída por imigrantes e que tornou-se símbolo de valores como a liberdade.
O discurso de Trump, o magnata republicano que derrotou a democrata Hillary Clinton na sangrenta corrida presidencial de 2016, parece ter encorajado a atuação de grupos extremistas e de ódio, como, por exemplo, a Ku Klux Klan e neonazistas, que voltaram às ruas, sem medo de mostrar o rosto.
Odiar, por mais triste que seja (e é, certamente), parece já ter tornado-se a última moda, não apenas nos EUA. Movimentos ultraconservadores, que pautam seu discurso no combate à diferença, têm avançado em todas as partes do planeta.
Por aqui, este fenômeno está presente no Fla-Flu ideológico que domina o debate político -- o 'nós contra eles'. Em ofensas a nordestinos, no preconceito, seja ele qual for (contra a mulher, homossexuais, negros...).
Neste fim de semana, o jornal OVALE lança em sua plataforma online 35 blogs com temas diversos e o objetivo principal de oferecer ao leitor mais opinião, mais conteúdo, mais diversidade. Promover o debate saudável de ideias e, acima de tudo, propagar a liberdade de pensamento, difundir os valores democráticos e enriquecer a discussão do cotidiano.
Durante a campanha, Trump, com seu discurso retrógrado e conservador, prometeu erguer um muro na fronteira entre os EUA e o México. Antes mesmo do presidente cumprir a sua promessa, outro muro já está de pé, erguendo-se dentro do peito de uma legião de pessoas descontentes, em um resposta violenta à globalização.
É a muralha da 'intolerância'.
Ao ampliar o seu espaço de opinião, em todas as plataformas, OVALE deixa claro: está na hora de derrubarmos muros e construirmos pontes..