Algumas redes de restaurantes na América tem a orgulhosa frase "we serve all" enquadrada e visível na sua porta. Isto é o resquício histórico de um país racista aonde, há bem pouco tempo, existiam comedores exclusivamente para brancos e outros para os verdes, amarelos, azuis e pretos. Recentemente a hotelaria de Curitiba não aceitou Lula como seu hóspede, com uma honrosa exceção. Os motivos alegados foram muitos, mas o mais assustador é o que define nosso momento atual: não querer que a sua imagem ou do seu empreendimento seja associada a de Lula, na forma de abrigo ou hospedagem.
Entendi. O preto que vá comer em outro lugar. Não estou a favor de nenhum dos lados (melhor: estou, mas não vou discursar aqui neste palanque digital) mas a exclusão de hóspedes por razão ideológica, racial, de gênero, ou qualquer outra, contraria o princípio básico do mercantilismo: dinheiro não aceita desaforo. Na tentativa de escrever uma biografia em um papel aonde não cabem biografia ideológica e negocio, alguns empresários tomam um perigoso partido que pode (e irá) se virar contra os próprios. Negócios meus amigos, ou devem ser apolíticos ou então serão ONGs financiadas por Estados aparelhados, tanto pela direita quanto pela esquerda.
Tudo isso para dizer que os hoteleiros de Curitiba deveriam receber a todos e deveriam aumentar dramaticamente as suas tarifas em um momento de "grande evento" na cidade. Esta é a manifestação e a ordem de uma lei que nenhum dos dois lados poderá revogar: a lei da oferta e da procura..